Venezuela lança no Brasil livro que assusta o imperialismo

Agência EFE

BRASÍLIA - O Governo da Venezuela apresentou hoje no Brasil o livro "Simón Bolívar, o Libertador", que será doado a escolas e bibliotecas do país e que, segundo o embaixador Julio García Montoya, ensina uma doutrina que "assusta ao imperialismo".

A apresentação da edição em português do livro de Bolívar levou ao Museu Nacional de Brasília cerca de 200 pessoas. Entre elas havia representantes das embaixadas da Colômbia, Peru e Panamá, além de membros dos Círculos Bolivarianos do Brasil.

García Montoya descreveu o livro, uma coletânea de textos que Bolívar escreveu entre 1805 e 1830, como "um guia para homens que querem viver livres e chegar à morte com glória".

O embaixador, general do Exército venezuelano, declarou que o "manual de iniciativas políticas" dá "medo" e "preocupação" a quem "não quer que se fale de autonomia, consciência social e revolução" na América Latina.

Num duro discurso, ele respondeu a políticos que viram na iniciativa uma tentativa de divulgar no Brasil as idéias do líder venezuelano, Hugo Chávez. "Bolívar assusta aqueles que não desejam a liberdade", disse.

Segundo García Montoya, "Bolívar desmascara os ideais da dominação imperial" e "não atenta contra soberania alguma", porque defende "uma doutrina libertária para o desenvolvimento político dos povos".

O embaixador afirmou além disso que "o verdadeiro atentado contra a soberania é manter os povos na ignorância". Por isso, argumentou, o imperialismo "treme quando a Venezuela apresenta Bolívar ao Brasil".

No ato discursou também o embaixador do Panamá no Brasil, Juan Bosco Bernal. Ele descreveu Bolívar como "um militar e estadista, um escritor e um político, um sonhador e um romântico", que conjugou o "idealismo mítico e o realismo da epopéia" nas suas lutas pela independência.

O adido cultural da embaixada venezuelana, Wilfredo Machado, revelou à Efe que a primeira tiragem do livro no Brasil será de 5 mil exemplares, o dobro da média de uma primeira edição no país.

O livro foi financiado pela construtora Odebretch, que tem a concessão de importantes obras de infra-estrutura na Venezuela.

"Simón Bolívar, o Libertador" foi publicado originalmente pela Biblioteca Ayacucho, da Venezuela, em 1976. Segundo Machado, a decisão de traduzir a obra para o português para distribuição em escolas e bibliotecas brasileiras procura divulgar "diretamente da fonte" o pensamento de Bolívar, sobre o qual a Venezuela considera que há "um conhecimento superficial" no Brasil.