Agência JB
BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou o pedido de licenciamento do cargo. Ele gravou o anúncio pela TV Senado, que divulgou o pronunciamento. Renan chegou ao Senado no final da tarde e trancou-se no seu gabinete com aliados e assessores. Durante todo o dia, o presidente do Senado esteve reunido com amigos para analisar a decisão a tomar.
Ainda em meio à expectativa do pedido de afastamento, o senador Edson Lobão (PMDB-MA) confirmou o clima ruim na residência oficial. Lobão, que esteve com Calheiros no começo da tarde desta quinta-feira, disse que o alagoano está "muito abatido, entristecido e tenso".
- Ele está muito abalado, entristecido e tenso. Também não é para ser diferente, debaixo desta tempestade - disse Lobão.
Ainda segundo Lobão, antes dele, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) e o governador de Alagoas, Teotônio Vilella, além de assessores, estiveram na casa de Calheiros.
Calheiros enfrenta quatro representações por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética e vinha sofrendo pressão de grande parte dos senadores para se afastar da presidência. Segundo a denúncia mais recente, publicada pela revista Veja, o assessor especial da presidência do Senado, Francisco Escórcio, teria ido a Goiânia a mando de Calheiros para colocar câmeras em um hangar de aviões na cidade, freqüentemente usado pelos senadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Demóstenes Torres (Democratas-GO), com a finalidade de chantageá-los. Calheiros negou a denúncia.
A presidência do Senado será ocupada pelo atual vice-presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC). O senador concentra sua atuação parlamentar em projetos relacionados ao sistema de saúde pública. Tião Viana, 46 anos, é médico e ingressou na carreira política com sua eleição para o Senado em 1999 pelo Estado do Acre. Nas eleições de 2006, com mais de 60% dos votos, o senador foi reeleito para cumprir mandato até 2015, assumindo a 1ª vice-presidência da Casa.