Portal Terra
BELO HORIZONTE - A CPI do Sistema Carcerário da Câmara dos Deputados divulgou, nesta terça-feira, o relatório que apurou a morte de 25 presos na cadeia pública de Ponte Nova, Minas Gerais, no último dia 23 de agosto. Segundo o documento, fica clara a facilitação ou omissão dos agentes penitenciários em relação à entrada de armas e celulares na cadeia: "apuramos que houve uma total negligência dos administradores da cadeia, por exemplo, no caso de entrar, de forma descontrolada, litros e litros de álcool e iodo, sem controle", explicou o deputado Neucimar Fraga, presidente da CPI Carcerária.
Os deputados federais concluíram que a substância inflamável utilizada para atear fogo nos presos que morreram carbonizados foi uma mistura de álcool e iodo, chamada de zica, utilizada pelos presos para combater micoses e coceiras.
Ainda de acordo com o documento, a hipótese de um briga apenas entre os presos das celas 8 e 9 ter sido o estopim da tragédia foi descartada. Para a CPI, o ataque aos presos na cela 8 partiu dos detentos das celas 9, 10 e 11, e não apenas pelos detentos da cela 9, como informado inicialmente pela polícia mineira. A possibilidade de que os próprios detentos da cela 8 tenham iniciado o fogo também foi descartada.
O relatório da CPI recomenda que os responsáveis pelas investigações se concentrem na participação dos presos das celas 10 e 11 no assassinato dos companheiros de prisão, "onde estavam presos os irmãos Barão, que são quatro traficantes de Ponte Nova que também tinham interesse na morte dos presos da cela 8".
- Apuramos, por meio dos depoimentos, que eles pagaram R$ 1 mil pela arma que entrou na cadeia - revelou Fraga.
O relatório da CPI confirma a superlotação da cadeia de Ponte Nova, que tem capacidade para 70 detentos, mas abrigava, na data da tragédia, 170 presos. Por meio do relatório, a CPI recomenda ainda que o governo de Minas determine nova perícia na cadeia, levando-se em conta que a realizada no dia foi feita de maneira irregular.
O documento também solicita a apuração da responsabilidade do delegado Wanderley José Miranda, chefe da cadeia de Ponte Nova, que teria negado várias solicitações, feitas por detentos e familiares, para a transferência de presos da cela 8 para outros presídios.
A assessoria de imprensa do governo de Minas Gerais informou que o Estado só vai se pronunciar depois que receber o relatório da CPI, o que deve acontecer somente nesta quarta-feira.