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No Sul, Lula evoca Getúlio e cobra investimentos privados no PAC

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REUTERS

PORTO ALEGRE - Exatos cinquenta e três anos depois do suicídio de Getúlio Vargas, acossado por uma grave crise política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Rio Grande do Sul, onde nasceu o ex-presidente, para cobrar mais investimentos privados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na última etapa das visitas para lançar o programa nas áreas de saneamento básico e moradia com prefeituras e governos estaduais, Lula foi à sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) para insistir com os empresários para que confiem na capacidade administrativa do governo de destinar recursos a obras de infra-estrutura.

- Por favor, não joguem apenas na minha culpa a responsabilidade se isso (o PAC) não der certo. Vamos todos assumir juntos. O dinheiro, tem. A disposição política de fazer, existe. Agora, construção e realização dependem um pouquinho de cada um de nós - disse Lula.

Ao falar sobre o PAC, Lula também buscou acalmar os empresários em meio à crise atual nos mercados financeiros e prometeu que apesar da preocupação momentânea, não haverá 'nada de fanfarrice, nada de achar que o jogo está totalmente resolvido.'

- Hoje nós podemos sem trauma nenhum dizer que o superávit não vai mais ser de 4,25 (por cento do PIB) porque nós vamos criar o PAC e usar dinheiro do superávit para fazer isso. Não houve nenhum trauma, não fugiu um dólar, não houve especulação, o risco Brasil não aumentou, a bolsa não caiu. Porque tem solidez administrativa e solidez econômica -disse.

Lançado em janeiro deste ano, o PAC prevê investimentos de quase 504 bilhões de reais em infra-estrutura, sendo que quase 90 por cento desses recursos virão de empresas estatais, como a Petrobras e a Eletrobrás, e de empresas privadas, que até agora não fizeram grandes injeções de dinheiro com vínculo no programa.

No seu discurso, Lula chamou atenção para a data do suicídio de Getúlio, o que atraiu as palmas da platéia, e citou iniciativas importantes para o país criadas pelo ex-presidente com quem gosta de se comparar, apesar de considerá-lo um homem controverso.

Lula se referiu à Companhia Vale do Rio Doce, ao BNDES e ao Senai, onde se formou como torneio mecânico. O presidente também mencionou as leis trabalhistas, que disse serem passíveis de discussão, ao contrário do que pensam muitos dos seus antigos colegas sindicalistas.

- Inegavelmente se Getúlio Vargas não tivesse feito nada neste país, além da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ele já teria sido o presidente da República que tirou toda uma nação de um estágio de semi-escravidão para torná-los cidadãos com direitos - disse Lula.

-Mas não sou daqueles que acha que não tem de discutir - completou.

Algumas dezenas de petistas que esperavam pelo presidente no local acabaram frustrados por nem sequer vê-lo, já que Lula entrou e saiu pelos fundos da sede da Fiergs. Antes da visita, o grupo se envolveu em um pequeno tumulto com pessoas que se identificaram como enlutadas pelos mortos do acidente da TAM no mês passado, no qual morreram 199 pessoas. Ninguém se feriu, segundo a polícia gaúcha.