Agência Brasil
KINGSTON - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta quinta-feira uma usina de etanol na Jamaica com tecnologia de empresas brasileiras e disse que o país caribenho tem condição de se tornar um destacado produtor de biocombustível.
- A Jamaica reúne todas as vantagens competitivas para ser um gigante dos biocombustíveis: clima e solo propícios para a produção de cana-de-açúcar, onde tem larga experiência, e uma mão-de-obra qualificada e apta para o desafio de investir na revolução da biomassa energética - afirmou Lula durante discurso na inauguração.
O presidente elogiou a iniciativa do governo jamaicano de estabelecer um percentual mínimo de álcool misturado à gasolina.
- Foi um dos primeiros ñpaísesí em todo o continente a estabelecer uma porcentagem obrigatória de 10% de etanol na composição de combustível automotor. Isso mostra uma feliz combinação de visão de longo prazo e coragem para inovar - disse.
Lula afirmou ainda que, desde 2004, nove ministros jamaicanos já estiveram em Brasília.
- A concessão de uma linha de credito do BNDES no valor de US$ 100 milhões é um dos meios com que manifestamos, em termos práticos, o compromisso em aprofundar nossa cooperação - afirmou.
A nova usina, da Jamaica Broilers Group, tem capacidade de produzir 60 milhões de galões de etanol por ano, o equivalente a 270 milhões de litros. Processa o álcool hidratado que recebe do Brasil, transformando-o em álcool anidro, que é aquele misturado à gasolina. Depois disso, o produto é exportado para os Estados Unidos com isenção tarifária. A fábrica, projetada por empresas norte-americanas, recebeu financiamento europeu e teve um custo de US$ 20 milhões. É a segunda usina de etanol com tecnologia brasileira na Jamaica e a terceira do país.
- O Brasil exporta o álcool hidratado. Ao final dessas operações, você consegue ter acesso ao mercado americano sem tarifa - destacou o presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank. O limite de entrada nos Estados Unidos de álcool anidro com isenção tarifária do Caribe é de 7% do consumo norte-americano.
Em um seminário com empresários brasileiros e jamaicanos, o presidente falou das dificuldades históricas de produzir etanol no Brasil e disse que muitas vezes o setor foi marginalizado.
- Os empresários que estão aqui sabem que muitas vezes foram tratados como marginais. Muitas vezes os governantes tinham vergonha de discutir com os empresários de álcool - disse.
Segundo ele, nos últimos quatro anos e meio, o governo estabeleceu uma relação com o empresariado brasileiro e discutiu a profissionalização do setor para tornar o álcool competitivo. E concluiu que, agora, 'os empresários estão crescendo muito e virando personalidades internacionais'.