Série de televisão mostrará experiências inclusivas de educação

Agência Brasil

BRASÍLIA - Uma série de televisão mostrará o cotidiano escolar de crianças com necessidades especiais, matriculadas em escolas públicas de ensino regular. Com seis episódios de 30 minutos cada, a série Toda Criança é Única: a inclusão da diferença na educação infantil será veiculada nos dia 1º e 2 de outubro pela TV Escola, do Ministério da Educação (MEC). Também será usada pelos professores das escolas públicas para auxiliar no trabalho com crianças com algum tipo de deficiência. Poderá, ainda, ser reproduzida pelos canais públicos de televisão.

- Para nós, a educação inclusiva é muito mais que a oportunidade que se dá a portadores de necessidades especiais de terem acesso à educação regular. É uma oportunidade que se dá aos outros alunos de poderem conviver com os portadores de necessidades especiais - afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, no lançamento do projeto.

- Em um mundo de tanta intolerância, ensinamos o princípio da sociabilidade, que é a convivência com a diversidade - acrescentou.

A série, produzida pela TV Cultura - Fundação Padre Anchieta com as Secretarias de Educação a Distância e de Educação Especial do MEC, foi gravada em escolas municipais de educação infantil de Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, São Luís, São Paulo e Vitória - seis dos 147 municípios-pólo que integram o Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade, lançado pelo ministério em 2003.

Um dos episódios mostra o dia-a-dia escolar da menina Luma Tavares da Silva, de 7 anos. Ela tem autismo e, antes de entrar na pré-escola em Brasília, em 2005, sequer falava.

- Minha filha nasceu uma pepita de ouro e foi se lapidando aos poucos. A inclusão foi essencial para isso, relata o pai de Luma, Jurandir Augusto da Silva. Quando ela chegou na escola, não falava, era totalmente arredia, não se relacionava. Com a escola, ela foi se lapidando e chegou na pérola que é hoje. A inclusão foi primordial para isso - disse.

Luma confirma. Desinibida, diz que adora ir a escola, conta que tem muitas amigas e que é craque no videogame. Jogo muito bem, né, Pedro?', indaga ao irmão, a seu lado. 'A gente joga junto Bob Esponja. O Pedro ganha mais'.

A professora Viviane Melquior de Souza, de 26 anos, tem ajudado nesse processo. Ela começou a dar aulas no ano passado e logo em sua primeira turma recebeu dois alunos com necessidades especiais - um deles, a Luma. Fiquei com medo de não conseguir desenvolver um bom trabalho, de acabar excluindo por não conseguir trabalhar com elas, isso me assustou muito.

Viviane conta que não recebeu treinamento da escola. Para trabalhar com esses alunos, estudou os casos e buscou orientação com os professores que haviam trabalhado com as crianças nos anos anteriores. No Brasil temos um preconceito velado. Quando desde pequeno se coloca as crianças ditas normais para conviverem com crianças que tenham necessidade especial, você está podando o mal pela raiz. Eles aprendem a respeitar as diferenças. Acho que tem sido bom para todo mundo.

Segundo o MEC, entre 1998 e 2006, houve um crescimento de 640% nas matrículas de alunos com algum tipo de deficiência em escolas comuns do ensino regular. O número passou de 43,9 mil, em, 1998 para 325,1 mil, em 2006 - o equivalente a 46,4% do total de matrículas. Este ano, o MEC pretende oferecer cursos de formação para 4.166 municípios e expandir a formação para outras 1.398 cidades. Com isso, cerca de 100 mil profissionais da educação se formarão em inclusão. Vivi não está nesse grupo.

De acordo com o MEC, o governo federal não repassou verba para treinamentos no Distrito Federal em 2006 e 2007, pois o Governo do Distrito Federal informou, ao final de 2005, que todos os educadores haviam sido treinados entre 2004 e 2005.

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