Portal Terra
RIO - Uma determinação da reitoria da Unesp pegou de surpresa os estudantes da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, interior de São Paulo, na noite desta quinta-feira. O prédio teve os portões fechados e a faculdade está, segundo os estudantes, lacrado. O motivo seria o medo de dano ao patrimônio público com a chegada, marcada para amanhã, de estudantes da Universidade de São Paulo (USP), em ação de repúdio à desocupação de ontem.
A Polícia Militar mantém uma viatura em frente ao prédio. Ninguém está autorizado a entrar. Um grupo de alunos, que prefere não se identificar, está indignado com a ação.
- Isso é um autoritarismo absurdo - desabafa uma jovem do curso de Ciências Sociais.
A faculdade não teve aulas nesta quinta e só alunos que faziam pesquisas na biblioteca e outros trabalhos permanecem no prédio.
As aulas de sexta-feira foram canceladas. A medida preventiva está relacionada ao anúncio de que um grupo com quase 50 alunos que ocupam a reitoria da USP, em São Paulo, desde o dia 3 de maio, marcaram uma visita à Unesp, nesta sexta-feira. O ato é um apoio aos jovens que haviam invadido prédio da Unesp e foram expulsos ontem. Segundo a assessoria de imprensa da universidade de Araraquara, o fechamento da faculdade foi uma medida preventiva de proteção ao patrimônio público seguindo um pedido da direção da faculdade.
A medida causou protestos. À tarde, cerca de 300 universitários fizeram uma passeata pela cidade com cartazes contra a Unesp, o governador José Serra (PSDB) e a Tropa de Choque da Polícia Militar. Eles encerraram o ato na Prefeitura. A polícia não registrou tumulto na ação dos estudantes.
Ontem, durante a madrugada, mais de 250 policiais invadiram a faculdade em Araraquara para cumprir o mandado de reintegração de posse. Os alunos estavam há uma semana acampados na reitoria. Não houve confronto e 92 estudantes foram levados em dois ônibus até uma delegacia.
A imprensa foi proibida de acompanhar a operação policial, mas os estudantes fotografaram e disponibilizaram as imagens na Internet. Todos os detidos responderão a um Termo Circunstanciado. Se condenados, a pena deve ser revertida em pagamento de cesta básica.