Agência Brasil
BRASÍLIA - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfego Aéreo na Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), considerou prematuro tirar conclusões sobre a atribuição de responsabilidades no acidente do Boeing da GOL com o jato Legacy em setembro do ano passado.
- É prematuro fazer afirmações conclusivas. Estamos tendo todo o cuidado de investigar, ouvir todos os lados, e principalmente identificar se não houve problemas técnicos durante e antes do acidente - disse.
A declaração foi dada em resposta ao relator da CPI do Tráfego Aéreo no Senado, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que atribuiu na segunda-feira a responsabilidade do acidente ao controlador de vôo da torre de Brasília Jomarcelo Fernandes dos Santos.
Mesmo com as declarações do deputado relator de que a CPI está em processo de investigação e não pretende atribuir culpa precipitadamente, o presidente da Comissão, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), isentou de responsabilidade os pilotos do jato Legacy por estarem voando a 37 mil pés de altitude em vez de 36 mil, depois de o jato passar por Brasília,
- Os pilotos do Legacy não têm culpa por estarem voando a 37 mil pés. Eles têm culpa por desligarem o transponder e passarem muito tempo sem contato com a torre - disse.
O relator da CPI defendeu o presidente da comissão, e disse que essa não foi uma afirmação precipitada, e sim "uma hipótese levantada pelo presidente".
- É legítimo por parte do presidente fazer questionamentos - comentou.
A CPI tomou nesta terça-feira o depoimento do chefe de Seção de Instrução do Centro de Controle de Área de Brasília, tenente Antônio Robson de Carvalho. Ele é responsável pela instrução e cursos de reciclagem dos controladores de vôo depois que eles saem do curso de formação. O tenente disse que a principal falha nos relatórios de perigo é a falha de comunicação, mas afirmou que o Cindacta de Brasília "tem uma estrutura maravilhosa".
Mesmo assim, disse que não são normais as 19 tentativas de comunicação que houve entre o Legacy e o Cindacta de Brasília.
- Pode ser por conta de piloto desatento ou a frequência que não funcionou - avaliou.
O tenente Carvalho afirmou que houve falha do controlador de vôo de São José dos Campos que informou ao Legacy que a altitude correta para voar até Manaus seria de 37 mil pés, sem informar que deveria baixar para 36 mil pés quando passasse por Brasília. Ele ainda dividiu a responsabilidade com os pilotos do Legacy que, segundo o tenente, deveriam ter entrado em contato com a torre quando estivessem passando por Brasília para que o avião mudasse para a altitude correta.