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Câmara quer reforma política para 'escapar' de novo escândalos

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REUTERS

BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados resolveu reagir aos escândalos de corrupção e está disposta a aprovar alguns pontos da reforma política para mudar as regras antes das eleições municipais do ano que vem.

A avaliação é de que uma disputa eleitoral sob as leis atuais aprofundaria ainda mais a desmoralização do Congresso Nacional e não romperia com o vício de uso de caixa dois em campanhas.

- Independente de escândalo ou não, a reforma política tem de sair. Só um alucinado imagina que a gente pode ir para uma nova eleição com essas regras - disse à Reuters o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA).

O Parlamento brasileiro está há anos a reboque de episódios e esquemas ilegais divulgados na imprensa. Na última década, não conseguiu aprovar alteração nas normas vigentes.

- A reforma política é a prioridade absoluta, não escapamos sem ela - sentenciou o líder do governo, deputado José Múcio (PTB-PE).

A reação veio da Câmara, motivada pelos desdobramentos da Operação Navalha, empreendida pela Polícia Federal, que desbaratou um esquema de fraudes em licitações e atingiu políticos de diversos partidos, do governo e da oposição, acusados de receber propina para beneficiar a construtora Gautama, do empresário Zuleido Veras.

A disposição do plenário é discutir na próxima semana uma proposta de consenso. Um projeto complexo como este, que atua sobre um modelo considerado esgotado, exige muito esforço para obter viabilidade. A solução, apontam parlamentares, é fatiar o projeto e votar somente o que for possível. Os líderes dos partidos acertaram procedimentos para permitir a votação da reforma política na próxima semana. A idéia é de que o projeto tramite em regime de urgência.

- Pode não sair a reforma inteira como estão querendo. Vejo como uma tendência muito forte a aprovação da matéria, mas creio que será a conta-gotas - advertiu a deputada Rita Camada (PMDB-ES).

Ela argumentou, no entanto, que somente o financiamento público, espinha dorsal da proposta, não garante a 'salvação da lavoura'.

A maior parte dos escândalos no Brasil nos últimos anos envolveu ilegalidades no financiamento de campanhas eleitorais e irregularidade na composição do Orçamento no Congresso.