Portal Terra
BRASÍLIA - As novas acusações contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), podem dar novo gás a instalação de mais uma CPI no Congresso Nacional, a da Operação Navalha. A denúncia de que um lobista da construtora Mendes Junior estaria financiado algumas contas do congressista podem ser consideradas como um desdobramento das investigações da Polícia Federal. Na deflagração, a PF prendeu pessoas muito próximas ao presidente Renan.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos responsáveis por colher as assinaturas para a CPI, acredita que agora mais do que nunca a sociedade vai cobrar explicações. Em sua opinião, o documento conseguirá o número de assinaturas necessárias até a próxima quarta-feira.
- Tenho recebido telefonemas de pessoas dizendo que vão assinar. Agora, mais do que nunca, tenho sentimento que as pessoas estão vendo tudo isso com indignação, que alguma coisa tem que ser feita - disse o deputado.
Com o fator Renan, o episódio protagonizado ontem entre o deputado Sílvio Costa (PMN-PE) e o grupo intitulado terceira via, que pareceu que desanimaria a CPI, ficou para segundo plano.
O próprio deputado Sílvio Costa, que retirou sua assinatura após a briga, disse nessa sexta-feira dia que pode reavaliar sua posição. - Preciso ler a matéria sobre o Renan, mas me parece que é um dado novo muito importante. Com isso posso repensar as coisas - disse. - Com tanto que o grupo não faça da CPI um episódio teatral - ponderou o deputado.
Na última sexta-feira a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também divulgou nota já sugerindo o nome do senador Pedro Simon (PMDB-RS) para a presidência da futura CPI, o que mostra como a pressão para as investigações no Congresso aumentou.
Até agora, a CPI já conta com 29 assinaturas de senadores, duas a mais que o necessário e 153 de deputados, quando o necessário são 171. Delgado afirma no entanto, que pretende protocolar o requerimento com o apoio de no mínimo 190 parlamentares.
A revista Veja publicou nesta sexta-feira uma reportagem em que acusa o presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL), de ter algumas de suas despesas pessoais financiadas pela construtora Mendes Júnior. A denúncia acrescenta tensão na base política do governo, em meio às investigações da Operação Navalha.
Segundo a revista, Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira, pagava até recentemente o aluguel de um apartamento em Brasília e a pensão de uma menina de 3 anos que seria filha de Renan com uma jornalista de Brasília. O valor dessas despesas chegaria a R$ 16.5 mil mensais.
Além disso, a construtora manteria permanentemente à disposição do senador um flat em dos hotéis mais luxuosos da cidade, e teria ajudado financeiramente familiares seus e campanhas eleitorais.