ASSINE
search button

Superintendente do Incra é refém de índios no PA

Compartilhar

Portal Terra

PARÁ - O superintendente do Incra no Pará, José Cristiano Martins e outras quatro pessoas, entre servidores do Incra e Funai, estão em poder de índios Tembés e colonos dentro da unidade avançada do Incra e no Pólo da Funai, no município de Capitão Poço, no interior do Estado. Os índios ocuparam as duas sedes, do Incra e do Pólo da Funai, em Capitão Poço, às 10h da manhã de ontem.

» vc repórter: Mande fotos e notícias

Os cerca de 200 índios aproveitaram um encontro que tinham com o Incra para invadir a sede e impedir o representantes dos dois órgãos de sair. "Quando chegamos e vimos eles pintados para guerra, desconfiamos que viraríamos reféns", disse Chagas.

Os índios se uniram aos colonos no manifesto porque querem que eles desocupem a reserva indígena Tembé da região. Os colonos dizem que só saem da terra quando o Incra conceder algum terreno para alojar as famílias. Segundo o Incra, o impasse na área já dura pelo menos 40 anos. Os índios ameaçam levar os reféns para a aldeia.

Na manhã de hoje, o chefe da unidade avançada do Incra de Capitão Poço, Francisco das Chagas, que está como refém na sede do órgão, conseguiu autorização para se encontrar com o superintendente do Incra José Cristiano Martins, que está no pólo da Funai (localizado há 200 m do local e onde três servidores da Funai também são mantidos reféns).

O encontro é para discutir uma forma de atender a reivindicação dos manifestantes. "É uma reunião interna, para definirmos propostas para levar até os índios e tentar uma negociação. Tememos que eles nos levem para a aldeia", contou Francisco das Chagas, que está mantendo contato com a imprensa pelo celular pessoal.

Os manifestantes estão irredutíveis, dizem que só saem com a chegada de algum representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do presidente da Funai e de representantes do poder Judiciário e do poder Legislativo. "Somos apenas uma moeda de troca pra eles", avalia o chefe da unidade avançada do Incra.

Apesar de reféns, os servidores dizem que estão sendo bem tratados e recebendo alimentação. "Em nenhum momento fomos agredidos, só não estamos podendo sair. De qualquer forma passamos a noite sem dormir porque as instalações não comportam todo mundo", contou.