Portal Terra
BRASÍLIA - O governado do Maranhão, Jackson Lago (PDT), citado na Operação Navalha sob suspeita de receber propina da Construtora Gautama, retornou a capital do Estado São Luís, depois de uma semana em Brasília. Jackson Lago foi recebido por militantes do PDT, em clima semelhante ao de campanha. Os partidários do governador usavam camisetas e colocaram adesivos nos carros com a seguinte frase: - Golpe não. Sarney nunca mais.
Os militantes saíram do aeroporto em passeata pelas ruas da cidade e pretendiam se concentrar, no final da tarde, na praça Maria Aragão. Porém, desistiram de ir até o local de última hora e a carreata foi direto para o Palácio dos Leões, sede do governo.
Quando chegou ao Palácio dos Leões, o governador fez um pronunciamento e disse que vai cancelar os contratos da construtora Gautama com o governo do Maranhão. Os contratos são para duplicação da adutora Italuís, firmado em 2002, no governo Roseana Sarney, e para construção de pontes, assinado em 2004, no governo José Reinaldo Tavares.
Lago foi indiciado na Operação Navalha, depois que gravações feitas pela Polícia Federal, autorizadas pela justiça, mostraram ligações de dois sobrinhos do governador com representantes da construtora baiana. Segundo relatório da ministra Eliana Calmon, o governador maranhense teria recebido da Gautama R$ 240 mil, por intermédio dos sobrinhos, para liberar obras da construtora no Estado.
Os sobrinhos de Jackson Lago, presos na última quinta-feira, recusaram-se a prestar esclarecimentos nos depoimentos realizados no STJ.
Durante a Operação Navalha o ex-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, foi preso. A acusação é de que Tavares teria recebido um carro, modelo Citroen C5, avaliado em R$ 110 mil, para beneficiar a construtora Gautama. Só no último ano de mandato de José Reinaldo Tavares, o Governo do Maranhão pagou R$ 24.744.978,63 a construtora para realizar obras de pontes no estado. Na última semana do governo, dia 26 de dezembro, foram liberados R$ 4.197.500,00.
Na gestão de Jackson Lago a Gautama continuou construindo pontes no Maranhão. Documentos do Tribunal de Contas do Estado mostram que a construtora recebeu nos meses de março e abril deste ano mais de R$ 6 milhões para a realização de pontes. Segundo a assessoria de comunicação de Lago, os R$ 6.125.422,03 foram licitados e liberados para concluir 26 pontes, em 16 municípios, já iniciadas no governo anterior.
A questão política que a Operação Navalha despertou no Maranhão fez a Polícia Federal convocar na noite de quarta-feira a imprensa para uma entrevista coletiva. O superintendente em exercício da PF no Maranhão. Cleyton Xavier, disse que a Operação é uma iniciativa da Polícia Federal, iniciada na Bahia e executada em 9 Estados e no Distrito Federal, e que não tem nenhuma conotação política.