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PRESIDENTE PRUDENTE - A Polícia Civil de Presidente Prudente (SP) já intimou mais 13 pessoas que foram citadas durante as investigações sobre a chamada Máfia das Casinhas. Os nove envolvidos no esquema de fraude nas construções de unidades habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) que tiveram prisão temporária decretada foram removidos na tarde desta sexta-feira para a cadeia pública de Presidente Venceslau.
Os detidos permanecerão no local até a próxima segunda-feira, quando serão transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) Tácio Aparecido Santana, na cidade de Caiuá (SP), unidade do sistema prisional do Estado, onde ficam os presos que aguardam julgamento.
No CDP, os presos vão permanecer em regime de inclusão por dez dias. Durante este período, eles não sairão para tomar sol, nem receberão visitas. Depois, vão passar para o convívio comum, onde passarão a morar nas celas coletivas, onde terão direito às visitas (inclusive íntimas).
Os presos vão ficar entre uma população carcerária com cerca de mil homens divididos em oito áreas. As celas são coletivas e construídas para abrigar até oito presos, mas devido à superlotação da unidade, em algumas delas moram até 25 detentos. Como são apenas oito camas de concreto suspensas nas paredes, os excedentes dormem amontoados no chão.
O delegado Luís Otávio Forti, encarregado das investigações, já deu início às oitivas dos novos citados. Nesta sexta-feira, novos documentos e um computador que podem conter mais provas contra os envolvidos foram apreendidos na casa da namorada do filho de Francisco Emílio de Oliveira, apontado como o principal membro do grupo.
- Pode ser que durante essas oitivas, consigamos mais elementos para a seqüência das investigações e até mesmo a possibilidade de novas prisões. Agora, vamos entrar na segunda etapa das investigações. Temos mais de 40 DVD´s com gravações de escutas autorizadas pela Justiça, e uma tonelada de documentos para analisar. Estamos calculando que vamos ter muito trabalho para cerca de dois meses para concluir essas investigações - avaliou o delegado.
Um dia após ser libertado, o vereador de Presidente Epitácio (SP) e presidente da Associação Renascer, Roni Von Góes de Andrade, conhecido como Roni das Casinhas, alegou que é inocente e que dará continuidade à construção das 442 casas do conjunto habitacional do município.
O vereador é um dos acusados em envolvimento na Máfia das Casinhas, detidos por 10 dias em prisão temporária e libertados na quinta-feira, que irão aguardar julgamento em liberdade.
Outro acusado liberado pela Justiça foi o ex-prefeito de Pirapozinho (SP), Sérgio Pinaffi. Ao deixar a Delegacia Seccional de Presidente Prudente, Pinaffi disse que é inocente e que irá provar isso nos autos do processo. Seu advogado José Francisco Galindo Medina expôs que, ainda não é possível dar um parecer sobre o fato. - Ainda não conseguimos ler o inquérito e nem sabemos qual é a acusação - alegou.
De acordo com o vereador de Epitácio, o convênio firmado com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) estipulava 20% do valor a ser destinado para a contratação de uma empresa de assessoria técnica, sendo contratada há dois anos a FT construções. - Temos tudo em documento para provar. Já foram suspensos os pagamentos e até fazermos uma auditoria estaremos cancelando o contrato se houver irregularidades. Não sei do que estou sendo acusado. Aparentemente acusam que nossa associação era uma associação de fachada.
Sobre o período que ficou encarcerado, o vereador disse que é difícil descrever o sofrimento em estar longe de seus familiares. - Nem dá para dizer o sofrimento que é. Ser preso sem saber do que se é acusado foi horrível.
A advogada Sara Prates Reis, que defende outro acusado, o presidente da Associação Habitar, Edson Menezes, fala que acredita na inocência de seu cliente e irá apresentar documentos e testemunhas perante a Justiça. - O Edson estava abalado e ansioso, mas em nenhum momento desesperado. Estamos tranqüilos e vamos provar a inocência dele, pois temos elementos para isso - disse.
Já o advogado de Sidnei Flores dos Santos, Irineu Rocha, alegou que não podia dar nenhuma informação sobre seu cliente. Santos era ex-encarregado do setor de compras da prefeitura de Pirapozinho e é acusado de colaborar na fraude de licitação de um conjunto habitacional do município.