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BRASÍLIA - Enfraquecidos com a saída do afilhado político do posto, os líderes do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), terão de adotar um sucessor para o Ministério de Minas e Energia que não pertence às fileiras do partido.
Com pouco poder de barganha por conta da Operação Navalha, os dois caciques políticos, interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o primeiro mandato, terão de amargar uma saída "Temporão" para ocupar a cadeira, colocando na cota do partido alguém que, na verdade, tem a chancela do Palácio do Planalto.
Nessa lógica, o PMDB acabou "indicando" o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Marcio Zimmermann, muito ligado à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Lula ainda não anunciou a substituição publicamente.
Apelidada de "saída Temporão", a alternativa faz referência à primeira reforma ministerial deste segundo mandato, quando Lula escolheu pessoalmente José Gomes Temporão para o Ministério da Saúde como se ele fosse uma indicação da bancada peemedebista na Câmara.
- O presidente Lula é quem decide, mas Zimmermann é o nome mais forte - disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo na Casa.
A investigação da Polícia Federal desbaratou um esquema de fraudes em licitações públicas e acusou o ex-ministro Silas Rondeau de ter recebido 100 mil reais para beneficiar a Construtora Gautama, pivô do escândalo, em uma concorrência pública do Programa Luz para Todos. A saída de Silas abalou o poder de Sarney, "dono" da vaga em Minas e Energia, e atingiu Renan Calheiros, outro fiador da nomeação.
Juntos, os líderes peemedebistas concluíram que o novo nome não poderia ser uma pessoa carimbada por eles, tampouco teriam musculatura para fazer exigências.
A única saída, segundo relataram três senadores do partido com acesso às negociações em torno da sucessão, foi aceitar um "Temporão da Energia", com a chancela da ministra Dilma.
TESTE DE FORÇAS
Na opinião de integrantes do partido, tanto Lula como o próprio PMDB precisam identificar se a fragilidade política de Renan Calheiros e José Sarney é realmente momentânea.
- Acho que o senador Sarney e o presidente (do Senado) Renan ficam debilitados com a saída de Silas. O Lula pode ser um grande beneficiário dessa fraqueza - disse o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).
Da ala independente do partido, Jarbas acredita que uma nova indicação tem de passar pelo crivo da bancada, não apenas por duas pessoas, como no passado.
- Vejo uma inquietação da bancada para participar desse processo de escolha. Votei contra a coalizão, por isso não posso falar muito, mas acho a demanda legítima - acrescentou.
Tudo indica que esse pleito não será atendido. Além de ser mais forte, a simpatia por Zimmermann no Planalto vale também para acelerar a decisão do presidente.
- Quanto mais tempo no sereno, mais rápido estraga a fruta, e mais expostos os dois (Renan e Sarney) ficam - disse uma fonte do PMDB, sob condição do anonimato.