Agência Brasil
BRASÍLIA - O controle do espaço aéreo brasileiro é prejudicado também por estruturas dos aeroportos brasileiros, disse nesta quinta-feira o presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, sargento Wellington Rodrigues, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado que investiga o setor aéreo.
- Não adianta cobrir todo espaço, se não consigo pousar - afirmou.
Ele alertou que as obras na pista principal do aeroporto internacional de Congonhas, em São Paulo, afetam a segurança e vôo, uma vez que em alguns casos os aviões ficam voando em sistema de prateleira aguardando autorização para pousar. Rodrigues explicou que com as obras, o aeroporto de São Paulo tem disponível apenas uma pista auxiliar de pouso.
Segundo ele, uma das maiores demandas dos controladores é a desconcentração de vôos em Guarulhos e Congonhas.
- Se tiver problemas em Congonhas, o resto das escalas serão comprometidas - disse.
- Precisamos urgentemente descongestionar Congonhas - defendeu.
O presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo voltou a defender a desmilitarização do setor que hoje tem civis e militares.
- Hoje, somos militares. Queremos nos tornar controladores - disse.
Rodrigues, que é lotado no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo de Brasília (Cindacta 1), voltou a repetir depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito do Apagão Aéreo na Câmara e ressaltou que os controladores trabalham sob pressão.
E lembrou do acidente da Gol em setembro do ano passado, quando 154 pessoas morreram.
- Nesse dia, o maior pesadelo dos controladores virou realidade - contou. Segundo ele, antes mesmo do acidente foram feitos alertas sobre segurança do espaço aéreo.