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Genro afirma que não há provas contra Rondeau

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Agência EFE

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta segunda-feira que não há qualquer comprovação da Polícia Federal sobre o envolvimento do titular da pasta de Minas e Energia, Silas Rondeau, com o esquema de fraudes promovido pela construtora Gautama.

- Não tenho nenhuma convicção a respeito da responsabilidade criminal do ministro Silas (...) e a própria Polícia Federal diz que não há uma prova física - disse Genro.

Rondeau teria recebido R$ 100 mil da construtora Gautama, acusada de promover um esquema de fraudes em licitações de obras públicas, e no qual aparecem envolvidos ex-governadores, prefeitos e parlamentares.

Genro afirmou que a Polícia Federal está convencida de que o montante foi entregue a alguma pessoa no Ministério de Minas e Energia, apesar de o receptor do dinheiro ainda não ter sido identificado.

Rondeau está acompanhando o presidente Lula em uma visita oficial ao Paraguai, de onde negou as acusações.

- Não há provas - disse a jornalistas, em Assunção, afirmando ainda que, se necessário, provará sua inocência "perante a Justiça'.

Em entrevista coletiva junto de seu colega paraguaio, Nicanor Duarte, Lula evitou comentar o fato, e afirmou que só vai debatê-lo "quando retornar ao Brasil'.

A suspeita contra Rondeau se baseia em vídeos que mostram a diretora financeira da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, chegando à sede do Ministério de Minas e Energia com um envelope que continha R$ 100 mil.

Maria de Fátima subiu por um elevador privado - exclusivo para convidados do alto escalão do Ministério - e foi recebida por um dos principais assessores de Rondeau, Ivo Almeida Costa, no mesmo andar em que se encontra o gabinete do ministro.

As imagens, gravadas em 13 de março, mostram Almeida Costa recebendo o envelope e depois se dirigindo ao gabinete de Silas Rondeau, junto de Maria de Fátima. Após alguns segundos, ambos saem de mãos vazias.

Na última sexta-feira, após ser divulgado que Almeida Costa estava sendo investigado pelo caso, o Ministério de Minas e Energia anunciou sua imediata destituição do cargo de 'assessor especial'.

As investigações estão centradas em uma rede de corrupção que seria responsável por fraudes em obras públicas em dez estados.

Entre as obras, figuram algumas contempladas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado por Lula há apenas quatro meses, e que prevê investimentos públicos e privados de R$ 468 bilhões até 2010.

As investigações levaram até agora à detenção de 47 pessoas, todas suspeitas de fraudes contra o Estado e entre as quais estão o ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares (PSB) e os prefeitos de Camaçari (BA), Luiz Carlos Caetano (PT), e de Sinop (MT), Nilson Leitão (PSDB), além de outros funcionários de Governos regionais.

O ministro da Justiça afirmou que, além disso, a Polícia Federal está investigando outras 250 pessoas que receberam 'presentes' da construtora Gautama.

Genro, no entanto, preferiu contemporizar, e disse que isso não faz com que 'necessariamente' estejam envolvidas em algum crime.