Leandro Mazzini, Agência JB
BRASÍLIA - O senador Delcídio Amaral disse que ele mesmo vai defender a criação de uma CPI no Senado para apurar o envolvimento de políticos com a construtora Gautama, cujo proprietário, Zuleido Veras, foi preso na operação Navalha da Polícia Federal semana passada.
Delcídio foi à tribuna do Senado se defender por ter sido citado em conversas grampeadas pela PF, entre o amigo do senador Luiz Gonzaga Salomon e o empresário, que ia pagar o aluguel de um avião bimotor em que Delcídio viajou no dia 4 de abril.
- Eu me candidato a ser o primeiro parlamentar a assinar o requerimento da CPI para passar a limpo essa situação, até porque são denúncias de milhões, não são de R$ 24 mil. Eu mesmo já tenho a minuta da CPI pronta, mas sou vice-líder do governo. Mas se as coisas não se encaminharem, eu mesmo vou pedi.
Três metros atrás dele, o senador Heráclito Fortes (DEM-DF), opositor ferrenho do governo, preferiu a cautela. Disse não saber ainda da existência de uma lista com a PF com nome de 40 políticos, entre deputados e senadores, envolvidos com a Gautama.
- Não é momento para CPI ainda. Mas já tem nomes? Se os nomes saírem, aí sim, pedimos a comissão- disse o senador do DEM.
Delcídio culpou as emendas no Orçamento como fato causador da corrupção e alertou para o problema: disse que se trata de milhões, e não de R$ 24 mil (valor que terá de pagar pelo aluguel do avião):
- Não podemos mais conviver com essas práticas que são utilizadas na discussão do Orçamento da União. É extamente em função dessa modelagem que os problemas estão aparecendo - disse o senador, ao se referir às emendas ao Orçamento feitas por deputados e senadores. - Fui da comissão de Orçamento, fiquei um ano e resolvi sair. A forma como isso é discutido, as influências, as interferências... estou fora dessa - disse o senador, sem contudo explicar quais tipos de "interferências" são essas.
O avião em que Delcídio viajou foi alugado pelo amigo Luiz Gonzaga Salomon, que por sua vez, sem o conhecimento do senador, pediu dinheiro ao empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama.
O nome de Delcídio apareceu em gravação feita pela Polícia Federal, em conversa entre Salomon e Zuleido.
Delcídio fez um pronunciamento há pouco na tribuna do Senado e se defendeu. Apresentou carta de Salomon. No documento, o amigo do senador diz que Delcídio não sabia que Zuleido havia sido procurado.
- Tentaram me botar em saia justa em várias situações, desde a época em que fui presidente da CPMI dos Correios. Entrei de gaiato no navio, entrei pelo cano - brincou o senador.