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Infraero faz auditoria após sete meses do início da crise aérea

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REUTERS

SÃO PAULO - Após mais de sete meses do acidente que deflagrou uma crise aérea no país, o presidente da Infraero, José Carlos Pereira, disse nesta segunda-feira que determinou uma auditoria para apurar eventuais problemas na empresa.

Pereira, no entanto, procurou evitar qualquer relação entre a iniciativa e a CPI da Crise Aérea, instalada pela Câmara dos Deputados.

- Estou pouco ligando para a CPI - declarou o brigadeiro em entrevista no aeroporto de Congonhas.

O cronograma de investigação da CPI, acertado na semana passada, começa com o acidente envolvendo um avião da Gol, em 29 de setembro de 2006, que deixou 154 mortos, e termina com a Infraero, onde a oposição tem esperança de atingir o governo.

- A auditoria vai levantar o que aconteceu em termos de planejamento estratégico...Esse fato era previsível? Desde quando? Quem era responsável? Que providências foram tomadas? Tudo isso para melhorar a estrutura da empresa - disse Pereira, admitindo que os problemas nos aeroportos influenciaram a decisão.

- Evidentemente que a crise área aguçou mais..., embora não envolvesse diretamente a empresa.

Depois do acidente com um avião da Gol, que se chocou com um jato Legacy, parte dos controladores de vôo, pressionados pelas críticas, realizaram em outubro uma operação-padrão, causando atrasos nos vôos em todo o país.

Desde então, os passageiros vêm enfrentando problemas, sendo que o pico da situação ocorreu em 30 de março, quando cerca de 2.400 controladores realizaram uma paralisação provocando caos total nos aeroportos.

A auditoria na Infraero começou há cerca de uma semana e deve durar cerca de cinco semanas. Pereira assegurou que "vai tornar público" o resultado e corrigir "o que for da esfera administrativa".

Outro fator que motivou Pereira a ordenar uma auditoria foi o aeroporto de Congonhas, cujas pistas estão passando por reparos. A obra na pista principal começou nesta segunda, o que a deixará interditada por 45 dias.

Neste período, os pousos e decolagens serão realizados na pista auxiliar, que passa pela segunda fase nas obras, realizadas durante a madrugada.

Após as obras nas duas pistas, Pereira garantiu que o aeroporto de Congonhas, o mais movimentado do país, não fechará mais por acúmulo de água na pista --o que ocorre com frequência.

- Durante muito tempo se tentou fazer essa obra, e isso foi se arrastando. Os aviões cada vez mais pesados aceleraram as deformações na pista - disse o presidente da Infraero.

As obras na pista principal custarão cerca de 19,9 milhões de reais, quase 7 milhões de reais a mais do que a melhoria na pista auxiliar.

Com o início das obras na pista principal de Congonhas, 51 vôos diários foram transferidos para Cumbica, em Guarulhos, e outros 106 foram suspensos. Para Pereira, essas mudanças não vão causar transtornos aos passageiros.

- Daqui uns dois ou três dias a malha aérea de acomoda. O ajustamento acontece de forma bastante natural - declarou ele.

Nesta segunda-feira, dos 229 vôos programados para sair de Congonhas, das 5h30 até as 18h, 9 tinham sido cancelados e 53 registraram atraso de mais de 45 minutos, o que representa 23 por cento do total.