Agência Brasil
BRASÍLIA - Representantes das entidades de classes dos policiais federais não aceitaram a proposta do governo de pagar em duas vezes os 30% de reajuste salarial. O pagamento da primeira parcela, conforme a proposta, está previsto para junho de 2008 e o da segunda, para junho de 2009.
De acordo o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, a categoria quer um acordo ainda em 2007. Ele informou que foi marcada nova reunião para o dia 21 e que já existe data marcada para a greve: do dia 22 ao dia 24.
- Dependendo do que for definido nessa reunião, a greve começa no dia 22 - afirmou.
Para o presidente da Associação dos Delegados, Sandro Avelar, a proposta do governo não satisfaz e não há como desistir da paralisação.
- Até agora, a proposta está muito longe do que foi assinado [em junho 2006] pelo ministro da Justiça [Márcio Tomaz Bastos].
Segundo Avelar, o argumento do governo é o de que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) funciona como limitador ao pagamento do reajuste. Ele lembrou que parlamentares e integrantes do Executivo foram contemplados com aumentos salariais substanciais e não foi usado esse tipo de argumento:
- Isso gerou indignação na categoria, acentuada em razão do descumprimento do acordo. Infelizmente, para nós se aplica a limitação prevista no PAC que não se aplica a várias outras carreiras do Executivo e aos parlamentares.
O secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, contestou a afirmação e explicou que cada poder é independente. Segundo ele, todas as categorias tiveram reajustes ao longo do Governo Lula.
- De um lado se tem uma questão constitucional e de outro se tem uma legitimidade, justeza na correção - disse.
Para o secretário, o reajuste aos policiais federais não está cabendo nas regras do PAC, que são as regras de expansão da despesa do poder o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] mais 1,5%. Não foi aprovado ainda, mas é a diretriz que o governo tem adotado. Fica mais viável a oportunidade de expansão de despesa a partir de 2008 .
Sérgio Mendonça disse ainda que espera evitar a greve com os elementos a serem apresentados na próxima reunião.