Agência EFE
PARIS - O presidente francês, Jacques Chirac, votou neste domingo em Sarran, em seu reduto de Corrèze (centro da França), nas eleições para designar seu sucessor, após doze anos no Palácio do Eliseu.
Entre o próximo dia 10, quando os resultados serão proclamados oficialmente pelo Conselho Constitucional, e a meia-noite do dia 16, quando termina seu mandato, Chirac passará os poderes ao vencedor de hoje: o conservador Nicolas Sarkozy ou a socialista Ségolène Royal.
Independente do vencedor, a eleição marcará a chegada ao Palácio do Eliseu de uma nova geração: Sarkozy tem 52 anos e Royal, 53 anos.
Chirac, de 74 anos, anunciou em março sua decisão de não disputar um terceiro mandato. Era o que desejava a grande maioria dos franceses, que quer 'sangue novo'.
Muito discreto durante a campanha eleitoral, Chirac deu um frio apoio a Sarkozy, considerado seu 'filho rebelde' e favorito das pesquisas, no final de março quando este deixou o Governo para se dedicar totalmente à corrida pelo Palácio do Eliseu.
Com uma carreira política marcada por grandes derrotas e surpreendentes vitórias, além de uma habilidade camaleônica para manter-se no topo, Chirac deixa um balanço presidencial de altos e baixos nos âmbitos internacional e nacional.
Será lembrado por sua oposição em 2003 à guerra dos Estados Unidos no Iraque, que foi sua hora de maior glória em casa e no mundo. Suas advertências de que a intervenção militar abriria uma 'caixa de Pandora' se cumpriram.
Chirac também ficará como a voz da defesa do multilateralismo e da solidariedade em relação ao sul, já que impulsionou a taxa sobre as passagens de avião para financiar a compra de remédios contra as grandes pandemias nos países pobres, além de um projeto piloto de mecanismos inovadores de financiamento do desenvolvimento.
Também foi um dos líderes mais eloqüentes na defesa do meio ambiente. Na cúpula da ONU em Johanesburgo, em 2002, advertiu que - a casa está queimando e o mundo olha para outro lado-.
O diálogo das culturas foi outra batalha de Chirac e será, junto com a ecologia e o desenvolvimento, uma das bandeiras da fundação que planeja criar.
No entanto, como ele mesmo reconheceu quando anunciou sua retirada, deixa para trás um grande fracasso: o não dos franceses à Constituição européia no plebiscito que convocou em maio de 2005.
No âmbito nacional, Chirac ficará como o primeiro presidente que reconheceu a responsabilidade do Estado na deportação dos judeus da França aos campos de concentração nazista.
Também se destacou por sua rejeição do racismo e anti-semitismo e por sua hostilidade à extrema direita, cujo líder, Jean-Marie Le Pen, descreveu Chirac como seu pior inimigo.