Agência Brasil
MANAUS - Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas iniciaram nesta sexta-feira greve por tempo indeterminado contra o que consideram um "desmonte" da instituição. O estado é o primeiro a deflagrar o movimento. O Ibama tem 268 funcionários no Amazonas.
Com a greve, estão funcionando apenas os serviços essenciais, como coleta e tratamento de animais silvestres, e fiscalizações emergenciais, como a realizada no sul do estado, região que concentra os maiores problemas de desmatamento.
O presidente da Associação dos Servidores do Ibama no Amazonas, Adilson Cordeiro, destaca que a greve não é por questões salariais, mas pela unicidade do órgão. Na semana passada, foi publicada a medida provisória que cria uma nova autarquia federal, responsável pela gestão, implementação e proteção das unidades de conservação, o Instituto Chico Mendes. Além disso, foi modificada a estrutura do Ministério do Meio Ambiente, com a criação de quatro novas secretarias.
- Não tenho dúvida nenhuma de que esse é o primeiro passo mais firme para a extinção do Ibama. O Instituto Chico Mendes é um nome disfarçado para tratar das unidades de conservação. Você tem as agências nacionais de florestas, a Secretaria Especial da Pesca, e agora o que sobra? Não sobra nada - questiona Cordeiro, para quem a "crise" no setor teria começado porque o Ibama ainda não concedeu licenciamento ambiental para a construção das hidrelétricas do Rio Madeira.
O superintendente do Ibama no Amazonas, Henrique Pereira, diz que servidores do próprio órgão vão atuar no Instituto Chico Mendes.
- Nós fomos convocados pelo Ministério do Meio Ambiente para tomar conhecimento das mudanças estruturais e da criação do Instituto Chico Mendes. Fomos orientados a apresentar, nos próximos 90 dias, as questões administrativas para que haja a separação de recursos humanos, patrimônio, necessárias para a implantação do instituto - conta Pereira.
A direção nacional do Ibama anunciou recentemente o fechamento dos escritórios regionais do Amazonas que não têm unidades de conservação. Seriam fechados os escritórios de Eirunepé, Tabatinga, Coari, Boca do Acre e Parintins.