ASSINE
search button

Pai de Liana: funcionários teriam ajudado Champinha

Compartilhar

Portal Terra

RIO - O pai da jovem Liana Friedenbach, assassinada em 2003, afirmou na noite desta quinta-feira que a fuga de um dos suspeitos de matar a jovem não o surpreendeu. Para Ari Friedenbach, as circunstâncias em que Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, escapou de uma unidade da Fundação Casa (ex-Febem) em São Paulo, indicam a possibilidade de conivência dos funcionários da instituição.

- As fugas na Febem são rotineiras - comentou.

Segundo o advogado, o fato de o rapaz ter escapado pulando o muro da unidade confirma a incapacidade do Estado de manter sob custódia indivíduos perigosos. Ari espera agora que o suspeito seja recapturado, preso e pague pelo crime como um adulto.

- Acho que isso deve ocorrer com a fuga - disse.

Champinha foi internado na unidade suspeito de ter assassinado Liana e planejado a morte do namorado dela, Felipe Silva Caffé, 19 anos, na cidade de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo. A Polícia Militar foi notificada da fuga por volta das 18h25. Equipes estão fazendo buscas na região para tentar encontrar Champinha e o outro fugitivo, identificado como Rafael Amaro.

O secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Guimarães Marrey esteve na unidade da Vila Maria da Fundação Casa e, não satisfeito com as informações recebidas, afastou imediatamente o diretor da unidade e 20 funcionários.

Marrey apontou que uma série de coincidências ocorridas no momento da fuga levam a crer que a fuga dos internos tenha sido causada por pura incompetência do responsável pela unidade ou por possível facilitação. Uma sindicância será aberta quinta-feira para investigar o caso.

Depois de ficar três anos internado - tempo máximo previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente -, Champinha foi avaliado por quatro médicos do Instituto Médico Legal (IML), que concluíram que o jovem não poderia voltar ao convívio em sociedade.

A Justiça determinou que a Secretaria de Saúde do Estado apontasse uma clínica psiquiátrica na qual Champinha pudesse receber tratamento. Por falta de local adequado, ele foi mantido em uma unidade da Fundação Casa, onde era atendido por médicos do Hospital das Clínicas.