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CNBB terá diálogo crítico com governo, diz novo presidente

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Portal Terra

SÃO PAULO - A poucos dias da chegada do papa Bento XVI ao Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elegeu nesta quinta-feira dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo nomeado de Mariana (MG), como seu novo presidente.

Considerado moderado e aberto a questões sociais, ele disse, em sua primeira entrevista após a eleição, que manterá uma atitude de diálogo em relação ao governo brasileiro e que sua prioridade será servir aqueles que mais precisam.

- A CNBB nunca se negou a dialogar com o governo brasileiro, até mesmo nos momentos mais difíceis da ditadura militar - disse dom Geraldo Lyrio.

- Estou sempre disponível para conversar com todo mundo, não fecho as portas para ninguém. Vai ser um diálogo respeitoso (com o governo), aberto e construtivo para colher críticas e criticar - completou.

No Dia do Trabalho, a CNBB divulgou documento com críticas à política econômica do governo Lula, em que deu ênfase à persistência do desemprego e ao privilégio no pagamento dos juros da dívida pública, o que compromete o crescimento, na visão da entidade.

Dom Geraldo Lyrio foi eleito com a quase totalidade dos votos e em primeiro escrutínio, um feito praticamente inédito na CNBB. Segundo porta-voz da entidade, ele recebeu 255 votos dos 276 bispos votantes na 45a Assembléia Geral da CNBB, que teve início na terça-feira e vai até dia 9 de maio em Itaici, no município de Indaiatuba (SP).

Pela primeira vez, a eleição do episcopado brasileiro foi realizada de forma eletrônica, com o uso de 15 urnas.

Entre os bispos, dom Geraldo Lyrio é tido como distante do Vaticano. - Um pouco de autonomia é sempre bom - disse um deles sem querer ser identificado. Outro ponto a favor é o entendimento de que o escolhido não dará tom burocrático à CNBB e agirá por colegiado e não de forma autoritária. Um dos concorrentes ao posto, dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, é visto como porta-voz da Santa Sé.

Em sua gestão, dom Geraldo Lyrio também prevê atingir a todos os católicos, com prioridade aos excluídos. - Assumir a presidência da CNBB não é assumir o poder, é assumir um serviço voltado a todos, mas especialmente aos pobres, aos excluídos do banquete da vida.

Ele substitui dom Geraldo Majella, cardeal arcebispo de Salvador, e ficará quatro anos no cargo.