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América Latina não precisa de líder, mas de integração, diz Lula

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REUTERS

SANTIAGO - A América Latina não precisa de um líder específico, apesar da crescente influência da Venezuela, mas de uma relação mais forte e de respeito entre os países da região, afirmou o presidente Lula.

O líder brasileiro disse em uma entrevista concedida a jornais argentinos e chilenos, antes de viajar na noite de quarta-feira até Santiago, que não está preocupado com o papel exercido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, nos últimos anos. Lula vê em Chávez um aliado.

- Ninguém lidera se quer ser líder. Ninguém escolhe ser líder. O líder surge na medida em que os liderados o reconhecem como tal, afirmou o dirigente brasileiro, em declarações divulgadas na quinta-feira pelo jornal chileno El Mercurio.

- Na América Latina, não precisamos de um líder que guie os outros. Nós precisamos de uma relação generosa entre os países, entre os governantes, uma relação de respeito mútuo, acrescentou, segundo o diário La Tercera.

Lula ainda afirmou que Chávez é um 'aliado excepcional, política e comercialmente', um aliado que deu prioridade à América Latina e que permitiu à Venezuela deixar de ser dependente dos EUA.

Sem citar possíveis diferenças que mantém com o dirigente venezuelano a respeito dos rumos da região, o líder brasileiro comentou que a situação atual 'é como se estivéssemos em uma corrida de Fórmula 1 na qual ele tem um carro que corre a 300 quilômetros por hora e nós temos um que corre a 280 quilômetros por hora'.

Lula considera importante priorizar a integração da região por meio do Mercosul, mas admite que esse processo caminha lentamente e que enfrenta obstáculos também na forma de desavenças entre países vizinhos.

- É preciso que tenhamos mais paciência. A integração nos exige um processo, um consenso, deve ser construída e, para isso, devemos ter a maturidade necessária, tanto os governos quanto as populações, afirmou o presidente.

Na região, 'atravessamos momentos muito auspiciosos' e, por isso, 'não podemos permitir que nossas divergências do século 19 prejudiquem o futuro', acrescentou.

O presidente brasileiro visita, na quinta-feira, o Chile, onde deve conversar demoradamente com a presidente Michelle Bachelet.

Durante esse encontro, prevê-se que Lula assine com Bachelet um memorando de entendimento sobre os biocombustíveis e um acordo sobre o setor previdenciário. Os dois ainda devem conversar sobre a importância de criar novos corredores bioceânicos.

Na noite de quinta-feira, Lula viaja para a Argentina.