Delegado preso na Operação Furacão faz acusações, contestadas por PF

Agência Brasil

BRASÍLIA - Suspeito de ter participado do esquema investigado pela Operação Furacão, o delegado aposentado da Polícia Federal Luiz Paulo Dias de Mattos acusa policiais federais de agirem irregularmente para se defender das acusações de que, junto com sua esposa, a delegada federal licenciada Susie Pinheiro Dias Mattos, teria alertados os suspeitos da realização da operação. A Polícia Federal nega as acusações.

Segundo o advogado Paulo Henrique Oliveira Lins, Paulo Mattos admite que é amigo do policial civil Marcos dos Santos Bretas, mas que a relação se deve 'à profissão de ambos'. Ainda segundo o advogado, o delegado também sabia da amizade entre Bretas e José Renato Granado Ferreira, bicheiro e ex-presidente da Associação dos Administradores de Bingos do Rio de Janeiro (Aberj). O advogado critica a acusação de que seu cliente era um elo para avisar bicheiros sobre operações policiais.

Bretas e Ferreira estão entre os 25 presos pela Polícia Federal (PF) há uma semana. Também foram detidos advogados, juízes, desembargadores e o procurador regional da República no Rio de Janeiro, João Sérgio Leal Pereira. Eles são acusados de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e por tráfico de influência, já que, segundo a PF, sentenças judiciais que beneficiavam bicheiros e donos de bingos eram negociadas pela organização criminosa.

De acordo com Lins, a versão de Paulo Mattos é de que suas conversas telefônicas com a esposa, gravadas com autorização da Justiça e reproduzidas sem fonte declarada pela imprensa, eram sobre a ação de agentes federais durante operações de apreensão de máquinas caça-niqueis, nas quais eles estariam também apreendendo todo o dinheiro encontrado.

A Polícia Federal tinha dado início à operações nas casas de bingo do Rio de Janeiro. Mas o pedido de busca e apreensão era apenas para os chips das máquinas caça-niqueis explica Lins. O Bretas, sabendo que o Paulo Mattos é delegado federal aposentado começou a brincar e tirar um sarro de que a PF, ao fazer a operação, estaria levando também o dinheiro do caixa, e não apenas se restringindo a apreender as máquinas.

Segundo o advogado, Paulo Mattos teria intervido uma ou duas vezes, a fim de evitar esse tipo de prática, que ele considerava ilegal e abusiva. Embora defenda que Paulo Mattos afirma não ter nenhuma relação com os fatos investigados pela PF, Lins faz questão de destacar que esta é a versão de seu cliente. Ele não tem nada a ver com liminares, com juiz, com jogo do bicho e com essas atividades. Ele não tem mais vínculo nem mesmo com a PF, já que é delegado aposentado e, portanto, não tem poder de influência ou interferência.

De acordo com Lins, Susie Mattos, delegada licenciada e atual corregedora da Agência Nacional de Petróleo (ANP), também confirma ter conversado com o marido, por telefone, sobre operações da PF, mas diz que não sabia de que operação se tratava, uma vez que está afastada do trabalho policial. A Susie atualmente exerce uma função que não tem nenhum vínculo com jogo e eventual corrupção no Poder Judiciário.

A Polícia Federal diz estar tranqüila em relação ao conjunto de provas apresentadas contra Paulo Mattos. Segundo o órgão, se as evidências fosse frágeis, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, não teria decretado as prisões, uma vez que a autorização foi possível mediante um conjunto de provas.

Além disso, a PF diz que responsabilidade é compartilhada entre PF, Procuradoria Geral da República e Supremo Tribunal Federal (STF) e que não teria sido possível à PF induzir os demais ao erro.