Ministro brasileiro critica 'retórica vazia' dos sem-terra

Agência EFE

BRASÍLIA - O ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, afirmou hoje que a sociedade 'está cansada da retórica vazia' do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na mais rígida crítica do Governo contra a organização nos últimos quatro anos.

- Toda a sociedade brasileira está um pouco cansada dessa retórica vazia, que sempre dá as costas à realidade para justificar seus atos, disse Cassel em entrevista coletiva.

O ministro se referiu assim aos últimos atos do MST, que, só neste mês, já ocupou dezenas de fazendas e prédios públicos para exigir maior rapidez na reforma agrária. Segundo os integrantes do movimento, a reforma caminha a passos de tartaruga.

O MST, que diz representar quatro milhões de sem-terra, tem uma relação antiga e íntima com o presidente Lula.

O movimento apoiou ativamente a campanha presidencial de Lula para as eleições de 2002, assim como sua candidatura à reeleição, no ano passado.

No entanto, nas últimas semanas a organização endureceu suas posições e adotou uma postura mais agressiva frente a um Governo que, segundo o próprio Lula, está a cada dia mais pragmático e longe da esquerda.

Segundo Cassel, o Governo não pode ter um 'diálogo franco' com o MST, pois a organização se nega a reconhecer os avanços ocorridos nos últimos anos.

- Todo mundo sabe, e está em documentos e em balanços, que nos últimos quatro anos o Governo investiu mais do que nunca, tanto na reforma agrária como em projetos de agricultura familiar, afirmou.

Na opinião de Cassel, 'é justo e compreensível pedir mais, mas não se pode dizer que não foi feito nada', porque desse modo cai-se em 'uma retórica vazia, para tentar justificar ações políticas que são, às vezes, inaceitáveis', disse, referindo-se às ocupações promovidas pelo MST.

O ministro não escondeu seu desagrado com uma nota divulgada na véspera pelo movimento, na qual o Governo Lula foi acusado de 'fazer pouco ou nada para uma verdadeira reforma agrária'.

Cassel disse que, nos últimos quatro anos, o Governo investiu R$ 4 bilhões em projetos de reforma agrária e agricultura familiar. Por isso, segundo o ministro, as críticas do MST revelam que a organização 'não consegue conversar com seriedade'.