Suicídios e alcoolismo entre jovens indígenas preocupam lideranças

Agência JB

BRASÍLIA - O crescimento dos casos de alcoolismo e suicídio nas comunidades indígenas preocupa as lideranças indígenas que organizam, esta semana, em Brasília, uma série de protestos, por ocasião da Semana do Índio.

Desde ontem, já está montado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o 4º Acampamento Abril Indígena. Já estão confirmadas audiência no Senado Federal para esta quinta-feira, às 13h e um encontro, no mesmo dia, às 16h, com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie.

Os índios pretendem também se reunir com o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro não está confirmado. Um dos coordenador do evento, o líder Jecinaldo Sateré-Mawé, do Amazonas, diz que a falta de esperança na preservação dos costumes e perspectivas de sustento nas próprias aldeias desestimulam os jovens índios, que passam a ser obrigados a ir para as cidades. A impossibilidade de produzir é vista também como uma das causas do aumento de suicídios e morte pela contaminação de doenças nas cidades. Eles ficam vulneráveis e acabam sendo levados pelo álcool e pelas drogas, vão trabalhar nas usinas de álcool e voltam doentes e viciados, conta. Na Amazônia, a situação é ainda mais crítica por causa das fronteiras com o Peru e a Colômbia, segundo Jecinaldo. Muitos jovens são usados pela guerrilha, pelas FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, e vão se envolvendo em furtos e criminalidade. É uma situação gravíssima, ressalta o coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral.

Na avaliação do líder, uma das possíveis soluções seriam a abertura de linhas de crédito específicas para as famílias indígenas recuperarem a agricultura tradicional. Elas estão descobertas, têm dificuldade de produzir, avalia.

- Cesta básica não resolve, os índios se tornam mão-de-obra barata e, muitas vezes, escravos dos patrões com dívidas que não conseguem pagar - conta o cacique da aldeia Cachoeirinha, no município de Miranda (MS), Ramão Terena.

Em agosto do ano passado, foi anunciada a a estimativa de ter, em 2007, um plano nacional de prevenção ao suicídio. As diretrizes estão sendo discutidas por um grupo de trabalho formado por representantes do governo, organizações civis e universidades. Se aprovado, o país será o primeiro da América Latina a ter uma política nesse sentido, segundo o Ministério da Saúde.