Agência Brasil
BRASÍLIA - Mais um grupo de extermínio foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco nesta sexta-feira. Ao todo, oito pessoas acusadas de participação no grupo que atuava em Garanhuns, no interior do estado, segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco.
De acordo com o assessor da Secretaria de Defesa Social, Joaquim Netto, esse não foi o único grupo de extermínio preso no estado. Nos últimos sete dias, outros dois grupos foram desarticulados. O primeiro atuava no município de Igaraçu e é responsável por 30 mortes na região. De acordo com Joaquim Netto, as vítimas eram mortas por maridos, namorados, irmãos e outros parentes de mulheres, que tinham a função de atrair as vítimas para emboscadas.
O segundo grupo, de acordo com Netto, era chamado de Thundercats e atuava na capital do estado, Recife.
- Eles funcionavam como as milícias, no Rio de Janeiro. Começavam a atuação como grupos de combate à criminalidade. Vendiam segurança nas ruas e em estabelecimentos comerciais de bairros da cidade e depois passavam a exterminar as vítimas - disse Joaquim Netto. Nesse grupo, nove pessoas foram presas.
Essas 26 pessoas presas, que integravam os três grupos de extermínio, somam-se às 29 presas na última quinta-feira, na Operação Aveloz, em Caruaru, também integrantes de grupos de extermínio.
O delegado responsável pelas investigações da Operação Aveloz, Jorge Pontes, disse que, nesse caso, toda a quadrilha foi desarticulada.
- Os policiais presos estão no quartel e os civis estão em um presídio administrado pela penitenciária do estado - acrescentou.
Ele afirmou que as penas dos presos serão altas por contas de diversos agravantes.
- Os crimes vão se somando. Houve morte por motivo torpe e cruel - acrescentou.
O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), que integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, disse que o grupo desarticulado na Operação Aveloz já havia sido identificado pelos deputados.
- Esse grupo assassinou vários jovens, inclusive o presidente do PT em Caruaru em 2001 - afirmou. Ferro disse ainda que o grupo tinha vários núcleos no estado.
- Há uma malha imensa de crimes no interior - disse.
Para o relator da CPI do Extermínio no Nordeste, deputado Luiz Couto (PT-PB), na maioria dos grupos há a participação de policiais civis e militares. Ele afirmou que é preciso enfrentar essa questão no Brasil.
- Eles estão implementado a pena de morte no país.
Segundo Luiz Couto, a CPI identificou 13 núcleos de extermínio só no estado de Pernambuco.
- Não se pode identificar se é um grupo só ou se são diversos, já que o modus operandi deles é o mesmo em todos.
Nos grupos, de acordo com o deputado, havia um mandante, um gerente que faz o trabalho em nome do mandante e os protetores que trabalhavam para que os assassinos não fossem identificados ou para retardar ao máximo o processo judicial contra eles.
- Muitas vezes, não adianta só pegar os executores, é preciso pegar o fio de um lado e de outro do novelo. É isso que foi feito em pernambuco - ressaltou.
Luiz Couto explicou que só uma ação articulada é eficiente no combate a esse tipo de crime.
- Às vezes, há um espaço vazio. A pessoa é executada em um estado e desovada em outro.