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Padre conta que modelo para adolescentes surgiu a partir de rebelião

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Agência Brasil

BRASÍLIA - Padre Agnaldo Soares Lima, que idealizou o Núcleo de Atendimento Integrado (NAI), criado como alternativa ao modelo da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), lembra que a idéia surgiu após uma rebelião de jovens internados em 1999. Durante uma visita a Febem Raposo Tavares, na capital paulista, ele e o juiz João Baptista Galhardo Júnior foram surpreendidos por uma rebelião, que deixou quatro adolescentes feridos. Após o episódio, a proposta de construção do núcleo chegou a ser cogitada na Febem, mas não foi levada adiante.

- Nos apoderamos do projeto e quisemos trazê-lo para São Carlos, conta o padre, que contou com a parceria do juiz para definir o projeto. Atualmente, cerca de 70 jovens são atendidos no núcleo por mês. O êxito do modelo, de acordo com ele, pode ser comprovado com números: o índice de reincidência entre os adolescentes que passam pelo NAI é de cerca de 5%. Já a média nas unidades da Febem está entre 30% e 40%, afirma o religioso, ex-secretário Municipal da Infância e Juventude.

De acordo com o religioso, um avanço obtido com a implementação do NAI é que a internação do adolescente passou a ser uma medida aplicada apenas em último caso.

- A maior parte dos adolescentes cumprem medidas como prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida e semiliberdade. Muitos casos mais graves, de roubo, tráfico, que seriam para uma internação imediata na Febem, nós conseguimos trabalhar no município através da semiliberdade.

Para o idealizador do projeto, os recursos destinados à construção de unidades de internação deveriam financiar instituições como o NAI, que, segundo ele, hoje é referência no sistema de atendimento de adolescentes em conflito com a lei.

- As unidades de internação fazem um trabalho mais de contenção, já o NAI estabelece um trabalho mais preventivo.

Na opinião do religioso, a experiência do núcleo mostra que a criminalidade entre os jovens pode diminuir com a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente, sem necessidade de endurecimento da lei.

- As pessoas dizem que o Estatuto não funciona, mas como não funciona se ele não foi aplicado?, questiona Lima, ao reforçou que o sistema capaz de mudar o comportamento de adolescentes envolvidos com o crime não é o da punição.

- O que de melhor esse processo fez para mim foi recuperar a esperança de há saída, só está faltando vontade política dos nossos governantes de querer enxergar essa saída, começando a fazer um trabalho mais preventivo - finalizou.