Agência EFE
RIO - Os presos de pelo menos 80 dos 144 presídios de São Paulo suspenderam nesta quarta-feira suas atividades recreativas e de trabalho, se recusando a ir às audiências judiciais, aparentemente em protesto por causa de uma suposta repressão por parte das autoridades carcerárias.
A 'greve branca' declarada pelos presos foi confirmada hoje pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, que esclareceu que não foram registrados incidentes, nem tentativas de rebelião.
"As 144 unidades carcerárias estão funcionando dentro das leis de segurança e disciplina', indicou uma nota divulgada hoje pela Secretaria sobre a greve.
São Paulo, com cerca de 132 mil presos e palco de recorrentes rebeliões e fugas, concentra mais da metade do total de presos do Brasil.
Além de se negar a participar de audiências judiciais, os presos das unidades em greve suspenderam seus trabalhos nas oficinas e as saídas aos pátios, e quase não aceitaram realizar trabalhos essenciais, como os de cozinha e lavanderia.
Apesar das autoridades carcerárias não terem esclarecido o motivo da greve, versões de imprensa atribuíram o fato a um protesto contra supostos abusos sofridos por presos da penitenciária de Presidente Venceslau, uma unidade de segurança máxima com um rígido regime disciplinar.
As mesmas versões indicam que a greve foi convocada pelos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), que controla o tráfico de drogas na maioria dos presídios do Estado, e que mostrou ter poder para organizar motins simultâneos em até 80 prisões.
Na penitenciária de Presidente Venceslau estão 729 integrantes do PCC, que foi o responsável por três diferentes séries de ataques a policiais, bancos, ônibus e edifícios públicos em São Paulo no ano de 2006.
A greve supostamente foi convocada em 6 de fevereiro quando, após novos ataques a ônibus e carros policiais, as autoridades carcerárias suspenderam as visitas de familiares aos presos de Presidente Venceslau e puniram três presos que tiveram seus celulares apreendidos.
Os presos da unidade alegam que estão sofrendo uma 'opressão carcerária', e que estão sendo humilhados há vários meses.