Agência Brasil
BRASÍLIA - Cerca de 250 famílias de catadores de materiais recicláveis foram retiradas nesta quarta-feira de uma área pública no Distrito Federal, localizada no Setor de Inflamáveis. Além de morar, os catadores trabalhavam no local em uma cooperativa criada há quatro anos, a Coopativa.
A remoção das famílias começou por volta de 7h, em uma ação conjunta das Polícias Militar e Civil do Distrito Federal, além do Corpo de Bombeiros e da Vara da Infância e Juventude de Brasília. Cerca de 400 policiais participaram do despejo, coordenado pelo Serviço Integrado de Vigilância do Solo (Siv-Solo) do DF.
Durante a remoção, agentes da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho cadastraram as famílias, ofereceram vaga em albergue de Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal e um auxílio de R$ 216 para passagens interestaduais.
Muitas famílias resisitiram à retirada e foram ameaçadas de prisão.
- Vamos ficar aqui, não temos para onde ir, não vamos para o albergue e precisamos trabalhar - diz Lindaura dos Santos, mãe de quatro filhos.
De acordo com o presidente da cooperativa, Marcelo Ricart, as famílias não foram avisadas previamente do despejo. Os associados têm condições de ter moradias legalizada, o nosso cadastro já está no Seduh, foi tudo aprovado pelo governo passado e o governo atual não respeitou essa norma', protesta Ricart.
As famílias de catadores estão neste momento na Vara da Infância e Juventude de Brasília. Não há ainda definição sobre o local onde elas serão alojadas.
O conselheiro tutelar de Brasília, Rafael Madeira, criticou o despejo sem uma negociação com os catadores e elaboração de um projeto de moradia e geração de renda. De acordo com ele, a maior parte das famílias estava no local há quase dez anos, vindas principalmente da Bahia e Pernambuco, e morando em casas de madeirite.
- Em dois dias de paralisação, são 60 toneladas de lixo que a cooperativa deixa de comercializar. Além de moradia, esse é um espaço de geração de renda, onde os catadores mantêm os filhos com vários direitos básicos atendidos, apesar do saneamento precário. Todas as crianças estão matriculadas em escolas da região - conta o conselheiro tutelar.
Segundo os catadores, a Coopativa desenvolve projetos em parceria com os Ministérios do Desenvolvimento Social, Cidades e Ciência e Tecnologia.
Também apóiam a cooperativa a Fundação Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Caixa Seguros, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), a Universidade de Brasília (UnB), a Cáritas Brasileira, o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua e a Organização Não-Governamental Moradia e Cidadania.