Agência JB
RIO - Índios guarani-kaiowá da comunidade Taquaperi fizeram um protesto nesta quinta-feira, reivindicando o direito de enterrar a índia Zulita Lopes, de 70 anos, na terra onde ela foi morta. Zulita, que era conhecida também como Kurutê, foi assassinada na noite desta segunda-feira por pistoleiros na Fazenda Madama, localizada entre os municípios de Amambaí e Coronel Sapucaia, no sudoeste do Mato Grosso do Sul.
A comunidade indígena da região quer realizar o sepultamento no próprio local onde ocorreu o crime, considerado um tekoha (terra de ocupação tradicional dos Kaiowá) e chamada pelos índios de Kurusu Amba.
Na noite da última segunda-feira, quando Kurutê foi assassinada, um grupo armado obrigou os índios a desocupar a fazenda, onde 50 famílias haviam entrado no sábado (6). Um outro índio foi ferido com três tiros na perna.
A kaiowá Valdelice Veron, uma das organizadoras do protesto e integrante da Comissão de Direitos Indígenas do Mato Grosso do Sul, declarou que, mesmo com medo de que haja mais um confronto armado durante o enterro, os índios não abrem mão do ritual.
- Nós vamos fazer o enterro na fazenda, com ou sem autorização da Justiça. Estamos esperando pela Justiça, mas vamos fazer o enterro - disse.
Valdelice é filha de um outro kaiowá morto, o líder Marcos Verón, assassinado em 2003 por seguranças de uma fazenda em Juti (MS). Ela afirma que mais de 2.600 índios já estão no local do protesto e responsabiliza os fazendeiros da região pelo assassinato.
Para realizar o velório, a comunidade fez um pedido oficial, na última quarta-feira, ao Ministério Público Federal (MPF) de Dourados.
(Com informações da Agência Brasil)