INFORME JB

Por Jornal do Brasil

informejb@jb.com.br

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Inocentada, neta de Flordelis constitui advogado para defender detentas presas por crimes famélicos

Rayane disse em entrevista que se deparou com casos impressionantes nos mais de dois anos que esteve na penitenciária, como a história de uma mulher que roubou uma galinha e que amarga anos de cadeia

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Publicado em 24/12/2022 às 09:14

Rayane Oliveira, neta da Flordelis, com o advogado Wellington Miranda. Eles vão defender - de graça - detentas que tenham sido presas por crimes famélicos e outrros delitos menores divulgação

Rayane Oliveira foi encontrada pela ex-deputada e pastora Flordelis quando tinha 15 dias de vida. Desde então, foi criada como neta. Assessora parlamentar da avó quando esta foi acusada e presa pela morte do marido pastor Anderson Oliveira, Rayane também foi levada ao presídio, onde ficou por dois anos e dois meses, até ser absolvida em julgamento recente.

Rayane deu entrevista por vídeo ao site "Fuxico Gospel" e contou que dividiu a cela com 130 detentas, muitas delas presas por crimes de menor potencial ofensivo. Disse que não guarda máguas por ter ficado tanto tempo presa, sendo inocente, e que só passou "pelo que tinha de passar"; e que, por incrível que pareça, é "feliz".

Rayane também contou que a avó "voltou a pregar a palavra de Deus" no presídio, e que quando Flordelis evangeliza as pessoas, "ela renasce", "fica muito bem".

Rayane não entrou no mérito - nem foi perguntada a respeito - sobre se Flordelis é inocente, mas disse que não comantaria o caso porque o processo está em fase de recurso.

A neta de Flordelis contou na entrevista que procurou o conhecido e competente advogado Wellington Miranda, que mantém escritório em São Gonçalo (RJ), para contrata-lo a fim de defender as muitas detentas que conheceu, muitas suas companheiras de cela, que às vezes são até inocentes, ou que cometeram crimes menores, e que, com razão, "não devem ficar tantos anos presas porque não podem pagar advogado ou porque são defendidas pela assoberbada Defensoria Pública". Mas o dr. Wellington, também voltado a projetos sociais, disse que faria o trabalho sem custos, colocando sua equipe à disposição para defender essa turma excluída da sociedade.

O dr. Wellington, que fez críticas contundentes sobre o sistema prisional, citando a desumanidade no trato dos detentos de todo país, deixou um telefone de contato para quem estiver passando por este tipo de problema: 21 98760 1945.

Está aí um projeto que merece atenção do novo ministro dos Direitos Humanos, o louvado Silvio Almeida.