'O Globo' faz de Bolsonaro um micropresidente

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Foto: Vilmar Bannach/reprodução
Credit...Foto: Vilmar Bannach/reprodução

A matéria do "Fantástico" sobre microcirurgias em bebês na barriga das mães deve ter contagiado as repórteres Adriana Mendes e Mariana Rosário, do jornal "O Globo". Em reportagem sobre a internação do presidente Jair Bolsonaro, na madrugada de hoje no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após se sentir mal depois do almoço de ontem, em Santa Catarina, onde passou duas semanas se divertindo, alheio às mortes e destruição causadas pelas chuvas no sul da Bahia e outros estados, a dupla, reproduzindo mal o twitter do presidente, disse textualmente:

“Em rede social, Bolsonaro postou foto e informou que foi colocado em uma "sonda nasogástrica" e que serão realizados exames para verificar "possível cirurgia de obstrução interna na região abdominal".

O que Bolsonaro disse foi “Me colocaram uma sonda nasogástrica”.

Pelo visto, as duas repórteres ignoram o que seja uma sonda nasogástrica. Ou então acreditam tanto no avanço da ciência, das microcirurgias e da nanotecnologia na medicina, que podem ter encolhido mais a figura do presidente da República do que as pesquisas eleitorais indicam a cada semana, e transformado Bolsonaro num micro ou nanopresidente.

Felizmente, a bobagem, colocada no ar por volta das 9 horas da manhã desta segunda, e atualizada às 10h30, foi substituída às 11h01 por outra matéria, correta, de autoria dos repórteres Guilherme Caetano e Mariana Rosário. Na matéria original, a estupidez só foi corrigida em nova versão às 13h55.

 

Facada ou tombo do jet ski?

Eu só não entendo por que nenhuma das matérias faz qualquer referência ao tombo que Bolsonaro levou ontem pela manhã do jet ski, enquanto se exibia nas praias de São Francisco do Sul (estampado na 1ª página de "O Globo" nesta 2ª feira), como a possível causa da nova obstrução intestinal. Como a campanha eleitoral já começou, as hostes e os assessores de Bolsonaro estão revirando a facada do Adélio Bispo, ocorrida em setembro de 2018.

Com Bolsonaro posando de vítima (logo ele que segue insensível aos mais de 620 mil mortos pela Covid-19 e retardando a extensão da vacinação às crianças de cinco a 11 anos, para fechar o cerco à variante ômicron, e à tragédia no sul da Bahia e outros estados causada pelo excesso de chuvas), sua campanha deve estar tentando, pelo menos, reagrupar o eleitorado evangélico em torno de orações pela recuperação do presidente.

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