Todo cuidado é pouco com a Ômicron

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Foto: reprodução de vídeo
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Há um clima de euforia no ar, que logo se transforma em angústia, para o cidadão mais bem informado, quando se depara com a explosiva circulação de turistas, nacionais e estrangeiros, nas ruas do Rio de Janeiro. Há muito, mais precisamente desde o Carnaval, em fevereiro de 2020, antes da declaração da pandemia, na 2ª quinzena de março, não se via tanta aglomeração, como se não houvesse amanhã. Ou como se a Covid-19 e suas cepas tivessem sumido.

Ledo engano. Os casos dos dois navios cruzeiros, cujos quase oito mil passageiros que tiveram de adiar os planos do réveillon para voltar aos portos de origem, porque surgiu um tremendo surto de Covid-19 (não se sabe se com prevalência da nova cepa ômicron) justamente onde deveria haver mais cuidado, comprovante de vacinação e testagem - na tripulação, recomendam cuidados redobrados na virada do ano.

Os controles estão bem frágeis nos embarques e desembarques por ar, água e terra e também na fiscalização no ingresso de bares e restaurantes como se viu hoje na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O navio MSC Splendida, que tinha zarpado de Santos com 4 mil pessoas a bordo, teve de voltar hoje ao porto do litoral paulista, por exigência da Anvisa, após relatar a ocorrência de novos testes positivos de Covid-19 em 78 pessoas a bordo. A maior surpresa é que o surto atingiu 51 tripulantes e 27 passageiros com Covid-19 a bordo. Ao todo, 51 tripulantes e 27 passageiros estão infectados, mas outras 54 pessoas terão de fazer testes e entrar em quarentena por terem tido contato com os contaminados pelo vírus.

Quem imaginava passar a noite do réveillon vendo a queima de fogos no Rio de Janeiro, no mar, diante da praia de Copacabana, pode ter a virar o ano trancado nos camarotes do navio da MSC, até que a Anvisa, diante da expansão da variante Ômicron ao redor do mundo, finalize, como medida cautelar, a análise dos dados dos demais passageiros e tripulantes.

 

Outra tragédia na Bahia

Além das chuvas que vitimaram mais de duas dezenas de pessoas no Sul da Bahia, Ilhéus, a maior cidade do sul do estado, foi abalada por outra notícia preocupante. O navio de cruzeiro Costa de Diadema, que ia ancorar em eu porto e espalhar 38.36 tripulantes e passageiros pelas praias e cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Troncoso, teve de voltar a Salvador também nesta 5ª feira (30), após relatar 68 casos positivos de covid-19 nas últimas 24 horas. A contaminação da tripulação foi ainda maior: 56, contra 12 passageiros.

O Costa Diadema tinha partido dia 20 de dezembro do Porto de Santos, fez uma escala em Salvador e teria Ilhéus como última escala até o retorno a Santos. Pelo que se vê, a fiscalização sanitária das operadoras de turismo e da Anvisa em Santos está apresentando falhas bastante graves.

 

O desleixo dos cariocas

“Cariocas são bacanas, cariocas são espertos, cariocas são dourados, cariocas não gostam de dias nublados”, pontua a gaúcha Adriana Calcanhoto, há muito radicada no Rio de Janeiro.

Entretanto, a julgar pela euforia e descuido como os cariocas, sobretudo os gerentes de bares e restaurantes da orla de Copacabana, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, que voltaram a lotar as mesas e a movimentar as maquininhas que substituíram as caixas registradoras, sem exigir certificados de vacinação dos clientes, (bato três vezes na madeira) podemos ter um epicentro da “ômicron” na cidade maravilhosa na virada do ano.

 

Lotação completa pela metade

A euforia em comemorar a quase lotação completa dos hotéis da região, segundo os dirigentes do setor, parece ignorar que muitos hotéis aproveitaram o refluxo da pandemia, em março de 2020, para entrar em obras prolongadas. Foi o caso do Sofitel Ipanema, da rede francesa Fairmont, em reforma que se prolongará por boa parte de 2022.

Por sinal, no mesmo quarteirão nobre de Ipanema, o Everest não resistiu à falta de hóspedes e entrou com pedido de recuperação judicial para outras duas unidades no sul do país. Em Copacabana, Botafogo, Centro e Barra, vários hotéis não reabriram. Então, falar em lotação completa, é ‘fake news”.

 

A carne é fraca

Com a disparada dos preços dos diversos cortes da carne bovina desde o fim do ano passado, quando as compras dos chineses fizeram explodir as exportações (e os preços), tirando tradicional bife da mesa da classe média brasileiro (os pobres estão disputando ossos).

E os donos de churrascarias e restaurantes, que têm a carne como o carro-chefe do menu estão se aproveitando, do fato de que muita gente perdeu a memória dos preços do filé mignon, da alcatra, da picanha e da fraldinha os brasileiros para engordar excessivamente o caixa neste fim de ano.

Se o freguês vai ao supermercado, mesmo os mais caros, sabe que há uma hierarquia de preços. As carnes mais baratas são de dianteiro - acém, pescoço e pá. As mais caras são o filé mignon, a picanha, a alcatra, a maminha e a fraldinha bovina.

Pois a Pura Brasa, em Ipanema, está inovando e passou a cobrar mais pela fraldinha do que pelo filé. Uma peça de 300 gramas de fraldinha na brasa sai por R$ 89, contra R$ 78 pelo mesmo peso de um pedaço de filé na brasa.

 

Saudades da carne honesta

Saudades da antiga Plataforma, no Leblon, quando a fraldinha, oferecida como novidade (é a carne da ponta da agulha) era oferecida como concorrente da linguiça, a preços 30% ou 40% inferiores aos da picanha.

Indo mais longe no tempo, recordo que a picanha, desprezada na exportação de carne para os Estados Unidos e Europa pelos então poderosos frigoríficos Anglo e Swift (ambos são, há alguns anos, da Friboi, do grupo JBS), que exportavam o miolo da alcatra, passou a ser oferecida como aperitivo, alternativo às linguiças, pelas tradicionais churrascarias do começo dos anos 70 no Rio, quando a maioria dos pedidos girava em torno da insípida maminha.

Pronto, a picanha (a mistura da gordura queimada com a carne tenra) virou a coqueluche das churrascarias e a maminha perdeu o atrativo, apesar de custar bem menos. Na Gávea, um restaurante serve há anos o “peixinho”, carne da pá dianteira, como “picanha”. Se a multiplicação dos lucros pegar, espero não estar aqui quando a carne do cupim não virar iguaria...

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