IBGE decreta Vitória metrópole e diminui papel do Rio de Janeiro no Sudeste

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Foto: Vida de Turista
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, como o nome diz, não coleta só dados para medir a inflação, desemprego e o desempenho dos diversos setores da economia que formam o Produto Interno Bruto (PIB). Ele faz pesquisas populacionais e socioeconômicas que se completam a cada 10 anos no Censo Demográfico, uma radiografia completa da situação da população, o padrão de renda e a qualidade de vida.

A pandemia se aliou à falta de dinheiro e adiou o Censo desde 2020, mas o IBGE segue atualizando várias séries. Semana passada, divulgou a Divisão Urbano-Regional 2021, com base na pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic 2018), realizada há três décadas, que fornece quadro de referência do país em três escalas: Regiões Ampliadas, Intermediárias e Imediatas de Articulação de Urbana.
Por sinal, foram tantas as consultas às 200 mil vagas abertas pelo IBGE para selecionar quem vai fazer trabalho de campo no Censo 2022 em todo o país, que o acesso aos sistemas do Instituto que ficariam restritos até às 14 horas, teve de ser prorrogado até às 22 horas de hoje.

 

O Brasil em mutação

O estudo aplicou um questionário para ver a influência a 5.503 dos 5.568 municípios do país. São Paulo lidera, com participação de 10,3% no PIB nacional, seguido pelos 2,6% do Rio de Janeiro.Três cidades foram elevadas a metrópoles - Vitória (ES), Florianópolis (SC) e Campinas (SP). Agora o Brasil tem 17 regiões com forte influência (15 metrópoles e duas capitais regionais) divididas em 140 regiões intermediárias que são formadas por cidades com centralidades medianas e com população, área, número de cidades formadoras e outros índices que marcam a diversidade como um traço característico do país. Estas, por sua vez, se dividem em 379 regiões imediatas

A expansão da Bacia de Campos ao Norte, rumo ao litoral capixaba, onde a exploração do Parque das Baleias levou a Petrobras, com sede no Rio, a criar subsede em Vitória, contribuiu para a capital ascender à condição de metrópole, centralizando todo o estado do Espírito Santo. Em compensação, o Rio, que em 2013 abarcava todas as regiões intermediárias capixabas chegando até a região intermediária de Teixeira de Freitas, no extremo-sul da Bahia, ficou circunscrito, basicamente, aos seus limites estaduais.

“Por causa da ascensão de Vitória como metrópole, é possível dizer que o Rio de Janeiro perdeu relevância em seu contexto regional nesta edição do estudo”, explica Maria Monica O’Neill, analista da pesquisa.

A metrópole fluminense também perdeu influência em outros dois estados: na Bahia, a região de Teixeira de Freitas passou a ser influenciada por Salvador. Já em Minas Gerais, Juiz de Fora, a “mais carioca das cidades mineiras” agora atua subordinada a Belo Horizonte.

Questão de estilo

Como dizia Vinícius, “que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”. O IBGE pode medir as interações entre indivíduos e empresas de uma mesma região, mas nenhuma estatística vai retratar, efetivamente a perda de relevância da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro para Vitória. Basta comparar fotos da capital capixaba com algumas do Rio. Não bate nem Niterói.

Entrar a foto de Vitória, uma de Copacabana, outra do Aterro do Flamengo com prédios ao fundo e mais outra com Pão de Açúcar ou Corcovado e o pôr do sol no Leblon, com Morro dos Dois Irmãos

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A vez das ilhas

Outra ilha que sedia a capital estadual e não figura como a cidade mais populosa do estado (Vitória, com 366 mil habitantes, perde para Serra, com 527 mil, Vila Velha, com 501 mil e Cariacica, com 384 mil), a de Santa Catarina, a antiga ilha do Desterro, depois de batizada por Floriano Peixoto como Florianópolis, ascendeu à condição de metrópole, segundo o IBGE.

Com 517 mil habitantes Florianópolis perde para os 605 mil de Joinville, no Norte do estado, mas ampliou a vantagem sobre Blumenau, com 367 mil habitantes.

No Sul, as três capitais agora possuem áreas de abrangência próximas da configuração territorial de seus respectivos estados

Campinas (SP) também ascendeu ao nível de metrópole na Regic 2018 e reconfiguraram o quadro urbano-regional que abrange as regiões vizinhas.

 

Quem sobe

Na região Norte, o destaque é o papel ainda mais polarizador de Manaus na região, pois Tefé (AM) reduziu o protagonismo regional. A capital do Amazonas é capaz de alcançar as maiores distâncias entre cidades em diferentes escalas, como na ligação com Tabatinga (AM) distante mais de mil quilômetros. A metrópole manauara também exerce influência sobre o estado de Roraima.

Porto Velho, capital de Rondônia, ampliou sua influência além do estado, alcançando o sul do Amazonas, o oeste de Mato Grosso e todo o Acre.

Já Belém polariza quase todo o Pará e ainda o estado do Amapá.

No Tocantins, a capital Palmas é uma região intermediária extensa, em especial no leste do estado, enquanto a maioria das demais cidades tocantinenses se integram a Goiânia.

O Centro-Oeste também vê uma presença maior de um eixo de desenvolvimento constituído por Brasília, Anápolis (GO) e a capital goiana.

Brasília, por sinal, não impacta apenas pelo que os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário decidem. Há interações com todo o Centro-Oeste, e que se espalham por Minas Gerais e Bahia.

Recife expandiu sua influência de 2013 para 2021 e atua como protagonista ao norte (Rio Grande do Norte) e ao sul (Sergipe) do seu território.

 

Quem perde

Quem também teve expressiva queda da sua relevância de 2013 para 2021 foi Cuiabá, capital do Mato Grosso, estado que concentra mais de 35% da produção de grãos e carne bovina do país. A causa foi a mudança de vinculação da região intermediária de Barra do Garças (MT) para Goiânia.

No Nordeste, Fortaleza se enfraqueceu ao perder Mossoró e Pau dos Ferros (ambas do RN) para Recife, mas ampliou a atração sobre a região de Quixadá (CE).

Recife expandiu sua influência de 2013 para 2021 e atua como protagonista ao norte (Rio Grande do Norte) e ao sul (Sergipe) do seu território.

Salvador manteve sua amplitude espacial quase estável, com algumas as alterações ocorridas no oeste da Bahia, perdendo a influência em Santa Maria da Vitória (BA), incorporada à Brasília, mas influenciando Luís Eduardo Magalhães (BA) e cidades do Tocantins.

 

Vergonha alheia

É com sentimento de vergonha alheia, que o Informe anuncia: o plenário da Alerj aprovou na última quinta-feira (16/12), o PL 5181/21, do Poder Executivo, que cria o Sistema de Proteção dos Militares (bombeiros e policiais militares). Na prática, entre as 261 emendas aprovadas, após discussões em audiências públicas, haverá aumento das gratificações para praças e melhorias nas pensões. Tudo depende agora da sanção do governador Cláudio Castro.

A vergonha vem do fato de que o Executivo e o Legislativo fluminenses priorizam os policiais em detrimento dos professores e profissionais da saúde. Mas tudo fica pior quando se sabe que um dos padrinhos que comemora o PL é o deputado Coronel Jairo. Para quem não está ligando o nome à pessoa, vem a ser o pai do infame vereador Dr. Jairinho, que está no banco dos réus sendo julgado pelo assassinato do menino Henry Borel, de quem era padastro.

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