A 'eleição' de Bolsonaro na Time

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Numa campanha eleitoral bem peculiar, para a qual usou sua “live” semanal na internet, da 5ª feira, 25 de novembro, para pedir votos a seu favor para a eleição da "personalidade do ano" da revista norte-americana “Time”, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, acabou vencendo no “voto popular", ao receber 24% (2,1 milhões) dos 9 milhões de votos, superando o ex-presidente Donald Trump, que teve 9% dos votos (810 mil) de seguidores que, a exemplo dos “eleitores” de Bolsonaro, também se mobilizaram por mutirão na internet e recorreram a robôs.

A dupla negacionista da Covid-19 superou os “profissionais de saúde da linha de frente”, que receberam 6,3% (567 mil votos).

Na tal “live”, que fez ao lado do ministro da Integração Regional, Rogério Marinho, de quem cobrou publicamente o voto (“vou votar, vou votar”, balbuciou um Marinho, constrangido), Bolsonaro lembrou que esteve entre as 100 personalidades nos anos de 2019 e 2020. "Agora, em 2021, estamos liderando. Agradeço quem votou em mim; quem não votou, peço que entre lá no site e vote", pediu. E se jactou de que estava “ganhando dos profissionais de saúde na disputa”.

 

Escolha da capa é dos editores

Nem sempre a personalidade que ganha a eleição vira a capa da revista. Os editores decidem seguir ou não o voto popular. O nome da capa será revelado na 2ª feira, 13 de dezembro. Ser capa da “Time” não é sinônimo de aprovação (nem dos leitores, nem dos editores). As pessoas viram capa por estarem em evidência ou receberem votação teleguiada, pela internet.

Hitler foi capa em 1938, ano em que promoveu a unificação da Áustria à Alemanha, trampolim para a invasão da Polônia (1939) que deflagrou a 2ª guerra.

No ano seguinte foi a vez de Joseph Stalin virar capa, após o pacto de não agressão aos alemães, facilitando a invasão da Europa, pela Polônia, a Leste e depois a Oeste pelas tropas nazistas. Stalin voltaria à capa em 1942, quando o exército russo iniciou a reação e expulsou as tropas alemãs de seu território (e foi anexando os países “libertados”).

Winston Churchill, o grande líder da resistência europeia, foi capa em 1940 e voltou a ela, em 1949. O presidente Franklin Delano Roosevelt, “Homem do ano” em 1932, quando lançou o “New Deal”, voltou à capa em 1934 e em 1941. É o recordista até hoje.

O Aiatolá Khomeini foi capa em 1979, quando o Xá Reza Palhevi foi derrubado. Nem por isso a “Time” e seus leitores apoiam o Irã dos aiatolás.

 

A eleição dos sonhos, nas nuvens

Mas está claro, para o bem ou para o mal, que tipo de eleição Jair Bolsonaro e seu ídolo (que o presidente brasileiro festejou ter batido no “voto” pela internet) gostariam de competir. Nada melhor do que uma eleição nas “nuvens”.

Nesta “eleição” nenhum dos dois pôs em dúvida a “fraude” no processo eleitoral. Só no sufrágio universal, voluntário, no qual os eleitores comparecem às urnas (eletrônicas ou ao complexo e extenso cardápio das eleições americanas, onde vota-se além do presidente e do vice, xerifes e em deputados e senadores que vão integrar as duas casas do Congresso, no Capitólio (EUA), a dupla coloca sob suspeita. Claro. Se pudessem limitar o comparecimento aos eleitores republicanos, ou aos conservadores e adeptos das ideias direitistas, seria a eleição dos sonhos dos dois.

 

Trumpistas atrasam vacinação

Só que não. Nos EUA, mesmo com a pandemia da Covid-19 reduzindo o comparecimento voluntário aos locais de votação (o eleitorado trumpista foi doutrinado a ignorar e desdenhar do coronavírus), houve forte mobilização dos democratas para o voto pelo correio e Trump perdeu por mais de 3 milhões no voto popular e no Colégio Eleitoral em eleições que julgavam ganhas.

Por isso, Trump segue alegando fraude e mobilizou seus asseclas fanáticos à infame invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, quando o presidente eleito Joe Biden e a vice, Kamala Harris, seriam diplomados.

A renitência dos trumpistas em aceitar a derrota se reflete no baixo índice de vacinação plena nos EUA. O país lidera as estatísticas de mortes, com 790 mil vítimas, e enfrenta a nova onda da variante ômicron, com só 56,08% dos americanos completamente imunizados e 71,19% com pelo menos uma dose. Que, não garante proteção contra as diversas variantes, que aproveitam o ambiente de baixa imunização para se transmutar em novas cepas.

 

Brasil ganha de Tio Sam na vacina

Apesar de ter proporcionalmente mais mortos (616 mil) para uma população bem menor - 214 milhões, contra 329 milhões dos Estados Unidos -, o Brasil, com 68,57% da população completamente vacinada e 82% recebendo ao menos uma dose, está, teoricamente, melhor do que os conterrâneos do Tio Sam para enfrentar novas ondas.

Até o México, com 128 milhões de habitantes e índice de mortes bem elevado (295,3 mil pessoas) está com grau de cobertura vacinal melhor: 58,17% têm a vacinação completa, enquanto 69,69% tomaram uma dose). Na Europa, os países estão com índices de vacinação bem superiores aos Estados Unidos. Mas, nem por isso, deixaram de recorrer a severas restrições depois do surgimento de casos da ômicron.

 

Bolsonaro e Putin

A atitude “destemida” de Bolsonaro, que recusa se vacinar, a estimular a vacinação e a impor triagem na chegada de viajantes ao Brasil, além do risco para todos, pode ser comparada à de Vladimir Putin, o moderno czar russo.

Embora tenha 147 milhões de habitantes, a Rússia já acumula 284,8 mil mortes (é o 4º, após o México) e está às voltas com o “general inverno”, ante o qual sucumbiram as tropas de Napoleão e Adolf Hitler.

Os exércitos dos déspotas ficaram sem “suprimentos” no violento inverno. O desafio de Putin é parecido: evitar uma hecatombe no país mais extenso e com a áreas mais geladas do mundo, só com 42,04% da população totalmente vacinada e menos de 50% (48,72%) com a 1ª dose.

 

O fracasso dos aiotolás

O pior exemplo do negacionismo ante os novos coronavírus vem do Irã, dos aiatolás. Com praticamente a mesma população da vizinha Turquia e da Alemanha (82 milhões), o Irã, por demorar nas campanhas de vacinação em massa, só imunizou 62,59% com duas doses e 75,52% tomaram uma dose (melhor que os EUA) e por isso acumula 130 mil mortes.

A Turquia vacinou 65,22% com duas doses e tem 78,2 mil mortes, e a Alemanha, com 70,32% totalmente vacinados, acumula 104 mil mortes. Bem menos que a Itália (134,3 mil mortes), França (120,5 mil mortes) e Reino Unido (146,1 mil mortes), com menos população.

 

Apostas no saneamento

Antes que Papai Noel guarde o trenó, o ano de 2021 promete boas surpresas na esquecida área de saneamento básico, que pode movimentar R$ 10,7 bilhões este mês, prevê o diretor executivo da ABCON SINDCON, Percy Aires.

Nesta 2ª feira, 13 de dezembro, serão leiloados dois blocos em Alagoas, compreendendo Maceió e 60 outras cidades, beneficiando 1,2 milhões de pessoas (40% da população de Alagoas). As concessões, com 35 anos de prazo, devem movimentar R$ 2,9 bilhões de investimentos.

Antes da virada da folhinha, dia 29 de dezembro, será realizado o leilão do chamado Bloco 3 da Cedae, envolvendo parte da capital e 20 municípios no Rio de Janeiro, quase o triplo do leilão de abril (os grandes compradores não puderam participar por superar o limite de participação total no certame).

Em abril foram arrecadados R$ 22,62 bilhões em outorga, a serem compartilhados entre o estado e os 29 municípios que participaram da licitação. Agora com o novo formato ampliado, a outorga mínima é de R$ 1,1 bilhão. A população beneficiada aumentou de 1,9 milhão para 2,7 milhões. O investimento previsto chega a R$ 7,3 bilhões.

 

O quem vem em 2022

Se depender do calendário de leilões, o saneamento básico (oferta de água limpa e, principalmente esgoto tratado em redes de coleta para estações de tratamento) seguirá firme no ano que vem.

De acordo com estimativas do Radar PPP, há mais R$ 12,7 bilhões de investimento previsto para os leilões do próximo ano, com destaque os certames do Ceará e do Rio Grande do Sul, além de várias outras licitações que devem ocorrer em municípios.

 

Esperanças para o Cimento

O setor cimenteiro, que viu o consumo encolher este ano, sobretudo no Nordeste, onde o consumo encolheu 4,2% em novembro, comparado ao mesmo mês de 2022, vê com esperanças o lançamento de programas de saneamento básico no Nordeste.

Ao lado das obras de conclusão dos sistemas de extensão da transposição das águas do São Francisco ao interior do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, os programas de saneamento podem compensar a queda do consumo de cimento pelas famílias, cuja renda foi atropelada pela inflação.

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