Câmara do Rio cria frente contra danos ambientais

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Foi lançada ontem (1º) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a “Frente Parlamentar em Defesa da Justiça Socioambiental” na cidade.

Coordenado pela Articulação Carioca de Justiça Socioambiental, o movimento, que nasceu na Pastoral da Ecologia Integral da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, é formado por 15 grupos vicariatos e paroquiais, dois coletivos especiais voltados especificamente para temáticas de reciclagem e inclusão socioeconômica, plantio de árvores e preservação do meio ambiente, ameaçado nos diversos cantos da cidade, incluindo a Baía de Guanabara.

De imediato, defende três pontos básicos para que o prefeito Eduardo Paes recupere a cidade do estrago produzido na gestão Marcelo Crivella.

“Imediato retorno da função de licenciamento ambiental para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, de onde nunca deveria ter saído.

- Revisão criteriosa das licenças já concedidas.

- Criação da CPI da liberação das licenças de construção.

- A criação de lei que institui a necessidade de estudo de impacto ambiental e estudo de impacto de vizinhança pela Câmara dos Vereadores.

Em dossiê entregue aos vereadores foram listadas seis frentes urgentes para a vidas das comunidades que pedem a intervenção da Câmara e da Prefeitura:

A ameaça de desmatamento para a construção imobiliária na encosta da Rua Uruguai, na Tijuca; o desmatamento no Horto, Jardim Botânico, para a construção de prédios e alojamentos do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada); a ameaça ao Parque Estadual da Chacrinha, em Copacabana; o basta ao desmatamento das Vargens, na Zona Oeste, no Recreio de Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena; a criação do Parque de Realengo, na Zona Oeste; e o movimento para preservar a Floresta do Camboatá, também em Realengo, pelo Coletivo SOS Floresta do Camboatá, que viria abaixo, conforme acordo entre o prefeito Crivella e o presidente Jair Bolsonaro, para a construção do novo Autódromo do Rio de Janeiro.

 

O caso do Horto é emblemático

Criada em 1952, o Impa, instituição na qual o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi professor, ocupa, desde 1981 uma área pequena, que originalmente pertencia ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, fundado por D. João VI, na encosta do Maciço da Tijuca, região amplamente reflorestada. Ela hoje é suficiente para abrigar seus cerca de 130 alunos e 50 pesquisadores.

Mas o instituto, vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, chefiado pelo ministro astronauta, Marcos Pontes, quer valer da sua excelência, reconhecida internacionalmente, para criar onde era mata um Novo Campus, como batizou: um prédio de oito andares, incrustado na encosta verde, com quatro blocos de dois andares cada, num total de 20 mil m2.

Trata-se de monstrengo desproporcional a todas as escalas de moradia do bairro, que vem se revoltando contra os estragos já feitos na rua Barão de Oliveira Castro e que teme pelo impacto que o movimento incessante de caminhões para retirada de pedras, terras e árvores, além do suprimento de materiais para a obra irá causar ao bairro. Calcula-se que seriam necessários 2.250 caminhões de dez toneladas, trabalhando cinco dias por semana, o que levaria 225 dias, ou 45 semanas com passagem diária de dez caminhões de dez toneladas pelo bairro que só tem uma entrada, a Rua Lopes Quintas, e uma saída, a Rua Pacheco Leão.

Só em um destes blocos estão previstos espaços que justificariam a definição de “CAMPUS” (auditório de 213 lugares, salão de leitura, 67 gabinetes para pesquisadores, sete salas de aula, refeitório com noventa lugares). Nos outros três blocos – somando seis andares – haveria 129 apartamentos para alojar os alunos, pesquisadores e visitantes do Impa. O que de fato pode ser considerado como um tipo de hotel. Estima-se que serão alojadas em torno de 300 pessoas, e que circularão cerca de 1.500 novos pessoas, numa rua onde hoje com menos de trezentos moradores, assinala o engenheiro e geólogo Sérgio Fontoura, um dos líderes do movimento dos moradores do Horto. Sérgio Fontoura lembra que a região, considerada com geologia perigosa, sofreu um grande impacto em 2019, quando uma enxurrada desceu pelas encostas e destruiu casas na Rua Sara Vilela, até hoje não reconstruída 100% pela Prefeitura.

O mais incrível é que o ministério do astronauta cortou verbas para pesquisadores no Orçamento Geral da União em 2022, mas manteve intacto, com apoio do Ministério da Educação (MEC) o projeto do novo Campus do Impa, orçado em R$ 100 milhões.

 

Fonte da Saudade, de olho

O caso do novo campus do Impa é visto com apreensão, do outro lado da Lagoa Rodrigo de Freitas, pelos moradores da Fonte da Saudade e adjacências. Eles temem que se a obra do Impa sair do papel, seja desengavetado o projeto tocado na surdina por poderosos advogados ligados à indústria da especulação imobiliária, para liberar construções horizontais, semelhantes na encosta da Fonte da Saudade e da Lagoa.

 

As frases da semana

“Se o PIB agropecuário tivesse ficado em zero, e não em -8% como foi, haveria crescimento de 0,3% no trimestre”.

Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica do Ministério da Economia.

 

Só que não, o PIB da agropecuária, com peso de 6,8% no Produto Interno Bruto, contribuiu para queda de 0,545 ponto percentual de baixa do PIB. Como a indústria (que pesa 20,5% no PIB) ficou estagnada, a atividade de serviços, que responde por 72,7% do PIB e é a maior empregadora do país, cresceu 1,1% mas não foi capaz de evitar a queda de 0,1% no trimestre, quando o país , após ter queda de 0,4% no PIB do 2º trimestre, na revisão feita pelo IBGE (antes a queda era também de 0,1%) entrou em recessão técnica, com queda em dois trimestres seguidos.

E, com uma inflação de 10% anualizada, é caso grave de estagflação.

Num exercício de platitude, bem ao gosto do chefe, Paulo Guedes, Sachsida tentou separar o que é “efeito da natureza” do que é “efeito de política econômica” no resultado do PIB e repetiu que, “mais importante do que o número do crescimento, é sua qualidade”.

Vá perguntar à D. Maria, do Grajaú, se quando há um problema climático que afeta a produção (e os preços) das hortaliças e legumes, não há um impacto no seu poder de compra e a sacola da feira não volta mais magra e leve da feira?

Sachsida perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado.

E nos remete à famosa frase de Otto von Bismarck, o unificador da Alemanha: “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis”.

Diria que o cidadão brasileiro também não poderia dormir tranquilo se soubesse como é gestada a política econômica no Brasil.

Mas vale recorrer a mais uma das famosas frases do Chanceler Bismarck, que ajuda a explicar o raciocínio enviesado de Adolfo Sachsida:

”Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”.

 

A “Cama de gato” de Mendonça 

Para convencer os senadores mais renitentes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde acabou aprovado por 18 a 9, o ex-ministro da Justiça e de Segurança Pública e ex-chefe da Advocacia Geral da União, o “terrivelmente evangélico” André Mendonça, mentiu e se enrolou várias vezes. Ao ser confrontado com a promessa que fizera ao presidente da República, Jair Bolsonaro, de fazer sempre uma oração bíblica na corte antes de seus votos e de consultar o presidente antes de qualquer julgamento, preferiu mentir e renegar seu criador, dizendo que usaria a Bíblia e a religião na vida, mas seu credo no Supremo Tribunal Federal “seria a Constituição”.

E Mendonça ligou o modo “me engana que eu gosto”, ao responder sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no qual defendeu “o direito constitucional”.

Não durou nem 15 horas para ser solenemente desmentido por um dos mais ferrenhos apoiadores da sua indicação para ministro do Supremo. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Renascer em Cristo, que é contra o casamento de duas pessoas do mesmo sexo, disse que a resposta de Mendonça foi, na verdade, uma “cama de gato” para uma “saída espetacular” ao que lhe foi perguntado.

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