Os índios, o 'marco temporal' e... o canto da floresta

E mais: Lula, filho mais novo de Bolsonaro, Afeganistão, ministro da Saúde, Posto Ipiranga, Luciano Huck, Marcos Mion, Marcio Garcia, TV Globo, Brasília, Paralimpíada...

Foto: Deriva Jornalismo
Credit...Foto: Deriva Jornalismo

O chamado “Marco Temporal” é mais uma excrescência do bolsonarismo que, não satisfeito em transformar as florestas em churrasqueiras a céu aberto - até que o céu um dia caia -, agora também quer surrupiar as terras dos povos que aqui estão desde muito tempo antes de o bisavô alemão do presidente da República, Carl Hintze, que nos anos 20 vendia assinatura de jornal em Campinas/SP. Mas isto é assunto para outra nota.

O que os índios (Guaranis, Xukurus, Pataxós, Kamakã Mongoiós, Ibiramas, Xoklengs etc – são centenas de povos) têm feito em Brasília, protestando contra o roubo de seus territórios pela turma do “agro é pop”, que corre o risco de ser autorizado pelo STF, é uma aula de cidadania. Sem quebrar fachadas do Bradesco, ou pôr fogo em monumentos públicos - como estátuas de fascistas -, ou invalidar os olhos de fotógrafos a poder de balas de borracha, os guerreiros amigos da floresta chegaram aos milhares na Praça dos Três Poderes e reeditaram uma espécie de "acampamento Lula Livre", quando correligionários do ex-presidente fizeram vigília do início ao fim da prisão dele, diante da PF de Curitiba.

Afora toda beleza da indumentária, e da generosidade e leveza com que se relacionam com os curiosos de “pele branca” que têm ido ver de perto o mar de penas coloridas, o que mais chama a atenção dos visitantes é a melodia absolutamente fantástica que os caciques e seus súditos fazem ecoar na planície.

Munidos de flautas, violões, violinos, instrumentos de percussão e outras engenhocas menos conhecidas a emitir sons de afagar ouvidos absolutos, os nossos confrades de pele lascada pelo sol deveriam, no mínimo, receber o apoio da Lei Rouanet para gravar uma coleção de CDs – o que agora se chama de "EPs".

Alguém precisa perpetuar essas relíquias sonoras que na floresta devem inspirar muitos uirapurus. 


Imobiliária Planalto
Em Brasília, o que se pergunta é como a ex-mulher de Bolsonaro, mãe do filho mais novo dele, que mora com o rebento, pagará o aluguel da mansão onde vai morar no Lago Sul.

É coisa de Beyoncé pra cima.


***


Cariri
Quem conversou com o ex-presidente Lula depois da turnê dele pelo Nordeste, que terminou nessa sexta (27), ouviu o seguinte: “vamos vencer essa batalha”.
E isso porque o homem ainda nem decidiu se vai mesmo se candidatar em 22.

Coxa pra correr o Brasil ele já mostrou que tem.

***

No Afeganistão
Em meio ao caos e carnificina no Afeganistão, algumas cenas nos fazem nunca perder a fé no ser humano. Um militar inglês, ex-Marinha Real Britânica, tenta sair do país com 200 gatos e cachorros que eram assistidos por sua ONG instalada nos domínios agora do Taleban.

Paul Farthing também resgatava burros habituados a fazer trabalhos de carga.
Está no aeroporto de Cabul sem poder sair. Mesmo tendo fretado um avião para carregar a bicharada.

***

Doutor de fralda
A subserviência do ministro da Saúde tem saltado aos olhos dos seus colegas de medicina.
O homem não precisa disso, mas tem negado a ciência para agradar a Bolsonaro e não perder o emprego.

Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro (E) abraça o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no Palácio do Planalto, em Brasília. Foto de arquivo (Foto: Foto: AFP / Evaristo Sá)

***

Lula
A regulamentação da mídia que o Lula quer fazer no Brasil já é praticada em muitos países na Europa, impedindo o monopólio de grandes grupos. Em muitos lugares, donos de empresas de mídia só podem atuar neste segmento, sem diversificar os negócios.
No Brasil, a turma tem TV, rádio, cinema, jornal, shopping, hospital e, ainda se puder monta uma rede de tabuleiros de acarajé no Pelourinho.

A cobra vai fumar, se Lula ganhar.

***

Pifou
Em Brasília, o que se comenta é que tem faltado gás no Posto Ipiranga há tempos.
A ponto de parar.


Quem viver verá.

***

Televisão
Nada de novo no front.
A turma da televisão garante que o “novo” programa do Luciano Huck, aos domingos na Globo, será uma cópia fiel daquele que ele já faz aos sábados. O Marcos Mion que se apresse em mostrar serviço e criatividade aos sábados.

Aliás, o Marcos Mion é interino. O titular dos sábados da Globo a partir de 2022 será o Marcio Garcia, bolsonarista de largos costados.

***

Mais Brasília
Bolsonaro fica no Planalto duas horas por dia. Faz uma reunião e volta para o Alvorada.
“O nome do homem não é trabalho”, diz um deputado do centrão.

***

De emocionar
Uma beleza o show de medalhas da nossa turma na Paralimpíada.
E tudo com “apoios” pífios do governo do tiro ao alvo e do orçamento paralelo.

Macaque in the trees
Maria Carolina faturou bronze nos 100m costas (Foto: ALE CABRAL)

***

Mentoria de carreira
Na próxima terça (31), às 19h, o Sistema Networking de Negócios do Brasil vai realizar a palestra “Inabalável”, baseada em mentoria de carreira. O coach e mentor Humberto D’avila, criador do Método RAV (Recomeçar, Avançar e Viver) vai falar on-line, via Skype, sobre os princípios que ele vem aplicando há anos, em empresas do Brasil e do exterior, a partir do seu desenvolvimento de negócios e projetos. Entre seus clientes, estão empresas de telecomunicações e de grandes eventos. Valor promocional: R$ 297, com certificado de participação. Inscrição e mais informações pelo e-mail [email protected].
O Sistema Networking de Negócios do Brasil fomenta relacionamentos profissionais para construir uma rede de contatos permanente. Empresários e profissionais liberais dos mais variados ramos compõem a rede.

***

Cidades inviáveis *

Macuco, pequeno município encravado na região Serrana, vizinho a Cordeiro, Cantagalo, Bom Jardim, Duas Barras e Trajano de Moraes, da área de influência de Nova Friburgo, tem a menor população entre os 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com a Estimativa para a População dos Municípios de 2021, divulgada 6ª feira 27.08 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Macuco tem apenas 5.269 habitantes. É menos que a população da Cidade Nova (5.282), mas supera os 3.421 habitantes da Ilha de Paquetá, ou os 2.186 moradores do bairro da Saúde, na Zona Portuária.

Mas a qualidade de vida dos cidadãos macuquenses não é das piores. A densidade demográfica é de 67,8 km por habitante e o PIB per capita era de R$ 27,5 mil em 2019. Naquele ano, a renda média da população era de 1,8 salários mínimos, e 97,7% das crianças com idade entre 6 e 14 anos estavam na escola. Tinham possibilidade de evoluir na vida pela educação.

Só que o próprio município era inviável, economicamente, como a maioria dos 5.570 municípios brasileiros. Sem receitas próprias, em 2015, dependia 93,8% das receitas externas (União e Estado do RJ) para sobreviver. Um pobre que esbanjava recursos com uma Câmara Municipal com 9 vereadores e serviços que o cidadão teria de melhor qualidade se se unisse a um ou dois municípios vizinhos (Cordeiro e Cantagalo têm quase 20 mil habitantes cada, Trajano de Moraes e Duas Barras têm, respectivamente, 10,3 mil e 9,8 mil).

***

Municípios de muletas *

No território fluminense estão na mesma categoria de municípios pequenos, que não se sustentam com as próprias pernas, São José do Ubá (7.003 habitantes) e Laje do Muriaé (7.487) no Noroeste do estado.

O 4ª menos populoso, Comendador Levy Gasparian (8.561 habitantes), situado às margens da Br-40, rodovia Rio de Janeiro-Juiz de Fora-Belo Horizonte), que ficou famoso por ser o refúgio do agora detido presidente do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, tem fábricas que geram arrecadação própria.

Rio das Flores, com 8.561 habitantes, perdeu sua principal fonte de renda, que eram as verbas aprovadas pelo clã do ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani.

***

Macaé nada no petróleo *

Entre os 92 municípios fluminenses, com estimativa de 266,1 mil habitantes pelo IBGE, destaca-se Macaé, que virou sede de exploração da Bacia de Campos pela Petrobras desde os anos 80, e ainda exerce forte papel de apoio às atividades do pré-sal nas bacias de Santos e de Campos.

A renda média mensal dos trabalhadores em 2019, de 6,1 salários mínimos, era não apenas a maior do estado, mas a primeira entre todos os municípios do país. Na capital, Rio de Janeiro, a média era de 4,2 salários mínimos em 2019.

***

Para inveja dos campistas *

Inveja mesmo têm de ter os 514,6 mil moradores de Campos dos Goytacazes, nas estimativas do IBGE. Quando a Petrobras descobriu petróleo em agosto de 1974, na Bacia de Campos, queria instalar sua base de operações no município, que já contava com aeroporto.

O então prefeito, o velho cacique do PMDB, Zezé Barbosa, foi contra. Seu argumento: “se o salário aumentar, vai faltar mão de obra para colher cana”. Hoje, a mecanização avança na colheita de cana, atividade em franca decadência no município. A renda média mensal ficou em apenas 2,4 salários.

***

Às escuras *
Como certamente não era medida de economia prévia de energia, pede-se à Rio Luz que aproveite a crise energética para fazer jus às taxas que o carioca paga para a iluminação pública e trocar as lâmpadas nos postes e calçadas dos principais bairros da cidade, às escuras, facilitando os amigos do alheio.
Pode ser até por mais econômicas. Mas é o mínimo que o cidadão-contribuinte exige, em nome da segurança.

***

Entre o buraco e o assalto *
Quem tem o hábito de caminhar diariamente nas calçadas da orla marítima, do Leblon a Copacabana, tem notado que os buracos no calçamento das pedras portuguesas aumentaram consideravelmente.
Diante do aumento do calor e da circulação, a prática no começo das manhãs ou nos fins de tarde ficou mais perigosa. Quem escapa dos ladrões, tropeça no buraco. E vice-versa.

***

Todo dia era Dia de Índio *

O ano tem 365 dias (com um a mais nos anos bissextos, múltiplos de quatro, quando fevereiro tem 29 dias). No calendário católico sempre há um santo para se louvar. Às vezes, dois ou três no mesmo dia. O calendário de feriados nacionais traz vários ao longo do ano. Uns de caráter religioso, outros cívicos.

Até o golpe militar de 1964 suspender as eleições presidenciais por 25 anos e mudar o calendário, a data do meu aniversário, 31 de janeiro, era um dia importante: tomava a posse, a cada quatro anos, um presidente da República. Em 1º de fevereiro tomavam posse os deputados, senadores e governadores e deputados eleitos nos estados. Era bem mais racional que o calendário atual.

Nascido em 1950, “presenciei” as posses de Getulio Vargas (1951), JK (1955) e Jânio Quadros (1961). No período militar a “posse” passou a ser em 15 de março. Foi nesta data que José Sarney tomou posse, em 1985, como vice do presidente eleito, Tancredo Neves, que morreu ser ter envergado a faixa presidencial. A data atual de investidura, em 1º de janeiro, criou um vácuo. Poucos chefes de Estado veem ao Brasil na data universal da Paz e do início do ano. E o próprio Congresso só retoma as atividades em 1º de fevereiro.

No dia do meu aniversário, comemora-se o Dia do Mágico e do Engenheiro Ambiental. Considero a função do 2º mais importante. Não haverá mágico que consiga restaurar a Terra, a curto prazo, se fizermos danos ambientais graves.

Digo isso porque só o anacronismo pode devolver, em pleno ano da graça e da Covid-19 de 2021, pompa e circunstância à comemoração do Dia do Soldado, em 25 de agosto, data de nascimento do patrono do Exército brasileiro, o marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.

No período da Ditadura, dava-se importância à “Ordem do Dia” em 25 de agosto, porque um ou outro comandante militar deixava extravasar ares mais ameaçadores à cidadania, ou acenava com promessas de abertura (que veio “lenta, gradual e segura” com o general Ernesto Geisel).

Sem desmerecer ou ofender ninguém, considero o Dia do Soldado data a ser louvada nos quartéis, pelo exemplo de disciplina nas forças armadas e pacificação nacional que teve o Duque de Caxias, retratado na novela “Nos Tempos do Imperador”. Vale a pena conferir.

Fora isso, é tão desimportante quanto o Dia do Economista (13 de agosto), do Jornalista (16 de fevereiro) ou do Securitário (18 de outubro). Todo dia é comemorada uma profissão. Por que a onda em torno do Dia do Soldado? Porque o presidente Bolsonaro tem origem militar? Ele foi despido da farda em 1988, e desde 1990 virou político profissional.

Por que não celebrar também o Dia do Açougueiro (9 de outubro) ou do Padeiro (8 de julho). Ontem, a propósito, foi o Dia do Bancário. Dia 31 de agosto é o Dia da Nutricionista. Sinceramente, tenho saudades, como dizia Baby Consuelo, do dia 19 de abril, quando “Todo dia, era Dia de Índio”, o brasileiro mais importante e desprezado.


* Colaboração de Gilberto Menezes Côrtes



Tudo que o índio quer é a terra que sempre foi sua
Presidente Jair Bolsonaro (E) abraça o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no Palácio do Planalto, em Brasília. Foto de arquivo
Maria Carolina faturou bronze nos 100m costas