Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Alckmin: Bolsonaro é folclórico

Geraldo Alckmin afirma que candidato do PSL tem alta rejeição e não resistirá ao segundo turno

Jornal do Brasil EDLA LULA, edla.lula@jb.com.br

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), em primeiro lugar nas intenções de voto, não passa de uma figura “folclórica” da política brasileira. Alckmin voltou a dizer que Bolsonaro não conseguirá vencer o PT em um eventual segundo turno.

“Essas candidaturas meio folclóricas não resistem ao segundo turno. Jânio Quadros, Paulo Maluf (por exemplo), isso não passa mais, porque não consegue maioria. É só olhar a rejeição”, afirmou, em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan.

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Para o tucano Alckmin, as eleições mostram que as grandes viradas são no finalzinho (Foto: Carl de Souza/Afp)

Para o tucano, Bolsonaro também não resistirá no segundo turno porque a sua rejeição, segundo as pesquisas de intenção de voto, é muito alta. “O que o Mario Covas sempre nos falou?”, indagou. E respondeu: “No primeiro turno, o eleitor escolhe. Existem 13 candidatos, eu quero um. Vou lá e escolho. No segundo turno, o eleitor rejeita, e Bolsonaro perde para qualquer candidato”.

Para o presidenciável, o ex-capitão do exército não dará conta de enfrentar Fernando Haddad, o candidato do partido do ex-presidente Lula, que, para ele, está garantido no segundo turno. “Tudo o que o PT quer é Bolsonaro no segundo turno, porque é o passaporte para o PT voltar”.

Além disso, para Geraldo Alckmin, caso aconteça de o candidato do PSL vencer a eleição, também não dará conta de governar. “Não se trata de um convite para um banquete”, alertou, referindo-se às dificuldades que o futuro presidente enfrentará especialmente na área econômica, com o governo acumulando o sexto ano de déficit primário. Ele voltou a dizer que governar será “subir o morro com chuva e lata d’água na cabeça”.

Alckmin criticou ainda as pessoas que decidiram por Bolsonaro após a facada que ainda o mantém no hospital. “Uma coisa é você ser solidário com uma pessoa que sofreu um atentado, outra coisa é você escolher o presidente da República”, disse, ao acrescentar que ele mesmo foi solidário à época da facada.

A 11 dias das eleições, o ex-governador tem esperança de que a sua campanha dê uma virada ascendente nos últimos dias. “As eleições mostram que as grandes viradas são no finalzinho. O povo vai ouvindo, comparando, comparando até que muda (o voto)”.

Durante a pré-campanha, ele havia apostado que seu nome cresceria quando a candidatura fosse homologada. Depois, já candidato, passou a dizer que as pessoas só começam a prestar atenção na campanha a partir da parada de 7 de setembro. Agora, mudou novamente a perspectiva. “O que vai decidir mesmo são esses 12 dias agora. Eu sinto que há uma mudança na rua, na internet, junto à população”.

Alckmin apontou a fragmentação na corrida para presidente, com 13 candidatos, como justificativa para a indefinição. “Bolsonaro está na campanha há 500 anos, eu comecei há três meses. E teve ainda o fato surperveniente que foi a facada, que interferiu no processo eleitoral por 10 dias”, acrescentou.

Mesmo figurando no quarto lugar, Alckmin disse que a campanha manterá a estratégia de puxar para si o voto anti-PT que hoje estão com Bolsonaro. Com base na pesquisa divulgada ontem pelo Ibope, o candidato disse que vai continuar alertando os insatisfeitos com o PT para o fato de que Bolsonaro perderá para Haddad. “Tem gente votando no Bolsonaro porque não quer o PT, mas essa é a maneira mais rápida de trazer o PT de volta, porque precisa olhar, não só o primeiro turno, mas precisa olhar o segundo turno”.



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