Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Contra a pior direita, Ciro pede autocrítica da esquerda

Candidato ataca PT e Bolsonaro e se afirma como via alternativa

Jornal do Brasil REBECA LETIERI, rebeca.letieri@jb.com.br

Na tentativa de se afirmar como terceira via nas eleições de 7 de outubro, o candidato do PDT, Ciro Gomes fez ataques ao líder nas pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL) e ao partido do ex-presidente Lula e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad – que assumiu o segundo lugar. Em terceiro, Ciro disse ontem em evento no Rio que a esquerda precisa fazer uma autocrítica para não legitimar a “pior direita” nessas eleições.

O presidenciável afirmou que uma das coisas mais graves que o país enfrenta hoje é a descrença na política, e atribuiu este momento à figura de Jair Bolsonaro. “Hoje a nossa geração não acredita na política. Isso explica esses episódios neofascistas que o Bolsonaro representa”, declarou.

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No Rio, Ciro critica Haddad: denunciar o golpe abraçado com Renan não dá (Foto: José Peres)

Por outro lado, Ciro reclamou que sempre esteve ao lado do PT, e mesmo assim é “insultado a toda hora” pelos petistas."Votei no Lula e na Dilma em todas as eleições. Ficamos contra o impeachment. E, agora, sou insultado a toda hora. Porque virou um jogo que não é pelo projeto de país, é um jogo de luta pelo micro poder. O Brasil não aguenta mais isso", disse o candidato do PDT no Clube de Engenharia, onde palestrou a convite da Associação dos Engenheiros da Petrobras.

Para o presidenciável, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que ele chama de "golpe", devia fazer a esquerda repensar seus métodos, porque nem mesmo com parlamentares “à venda no varejo e no atacado” não foi possível reverter a cassação da petista.

"Nós não conseguimos um terço dos deputados, num país em que deputados estão à venda no varejo e no atacado. É de se parar para pensar. A esquerda brasileira ou faz uma autocrítica para se reconectar à sociedade, ou vamos legitimar a pior direita agora no país", disse.

O presidenciável deu continuidade às críticas e mirou no presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB) e governo de Alagoas, onde Renan Filho, herdeiro de Renan Calheiros (MDB), tenta a reeleição ao lado do pai no Senado.

O nome do candidato do PT, Fernando Haddad, não foi citado, mas é preciso lembrar que o ex-prefeito, em agendas recentes de campanha, esteve com Eunício e Renan no Nordeste.

"Até o adjetivo de esquerda está mal versado no Brasil. Falar que é golpe e ver o candidato do PT abraçado com Eunício no Ceará, que é a minha terra, pode acreditar, é muito duro. Denunciar o golpe abraçado com Renan Calheiros não dá. O único estado que não vou visitar é Alagoas, porque não quero confraternizar com Renan", disse.

Ciro vem repetindo que vai “salvar o Brasil dessa dança macabra à beira do abismo” e se oferece como alternativa para a crise econômica do país. Em palestra ontem no Rio, o presidenciável defendeu que a Petrobras não deve ser privatizada e disse que em seu governo a empresa teria papel protagonista no desenvolvimento do país.

"O Brasil só tem dois lugares onde nós temos condição de alguma autonomia tecnológica com irradiação civil importante: Petrobras e Embraer. Todos os campos de petróleo que forem entregues aos estrangeiros a partir da revogação da lei de partilha serão expropriados com as devidas indenizações", defendeu.



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