Jornal do Brasil

País - Eleições 2018

Polarização Bolsonaro-Haddad dificilmente será rompida

Jornal do Brasil TEREZA CRUVINEL

A noite de terça-feira trouxe alegrias em dobro para o PT. Primeiro, pelo crescimento espetacular do candidato Fernando Haddad, que ao saltar de 8% para 19% isolou-se no segundo lugar, polarizando com Bolsonaro. Enquanto a pesquisa Ibope era divulgada, o TSE rejeitava mais de 40 reclamações contra o uso de imagens e falas do ex-presidente Lula no rádio e na televisão pela campanha de Haddad. Elas continuarão sendo intensamente usadas, dentro do limite de 25% do tempo de cada programa. E isso também contará a favor do candidato.

O PT avalia que a polarização Haddad-Bolsonaro dificilmente será rompida, resultando no cenário de segundo turno que o partido sempre considerou mais favorável: a disputa será o bolsonarismo, encarnação do antipetismo, contra um Haddad que, no segundo turno, irá além do lulismo, sendo apoiado por eleitores de centro, e mesmo de centro-direita, que não assimilam o candidato do PSL.

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Primeiro turno está marcado para 7 de outubro (Foto: ABr)

Com o isolamento de Haddad em segundo lugar, e uma frente de oito pontos percentuais sobre Ciro Gomes, o terceiro colocado, será muito difícil romper a polarização agora estabelecida. Ciro teria que crescer intensa e rapidamente para superar Haddad, que ainda vai crescer mais, nos cálculos do petistas, na medida em que mais eleitores de Lula forem sendo informados de que ele o apoia como seu substituto. Não tendo como crescer pela esquerda, Ciro teria que buscar eleitores de centro –direita. Mas, ainda que todos os eleitores de Marina (que caiu mais, ficando em 6%), resolvessem apoiar Ciro (com ou sem a renúncia dela, rumor que começou a correr), ele ainda não ultrapassaria Haddad.

Alckmin, por sua vez, ao pontuar 7% (oscilando negativamente na margem de erro) ficou ainda mais distante de Bolsonaro, seu competidor no campo da direita, agora 21 pontos à frente dele. Ele teria que crescer recuperando votos que Bolsonaro tomou do PSDB, além de conquistar aqueles que apostam em candidatura absolutamente inviáveis, nesta altura do campeonato, como as de Álvaro Dias, Meirelles e João Amoêdo, o que lhe daria mais cinco ou seis pontos, no máximo. Ele agora voltará a abrir fogo contra Bolsonaro (e também contra o PT) mas não lhe tomará votos. O ex-capitão, inicialmente, representava uma extrema-direita nascente. Agora ele foi além dela, passando a encarnar o espectro do antipetismo.

Se Haddad chegar ao segundo turno, a chave de sua vitória, dizem os petistas, estará no índice de rejeição a Bolsonaro que, segundo o Ibope desta terça-feira, 18, é de 42%. A de Haddad, embora tenha crescido, ficou em 29%. Isso significa que, no segundo turno, o petista terá mais capacidade de arregimentar que o adversário.

Os dois, segundo o Ibope, hoje empatam nas simulações de segundo turno, ambos com 40%. Mas como Haddad tem 19%, e Bolsonaro 28%, isso significa que o petista agregaria mais 21% de eleitores, e o capitão apenas mais 12%, se houvesse hoje um segundo turno entre os dois.

O quadro agora está bem claro mas todo cuidado é pouco. Bolsonaro, antes de tamanho crescimento do petista, já indicou que poderia contestar o resultado, alegando fraudes. O Brasil precisa de um presidente eleito com segurança e transparência, num processo incontestável, que ponha fim à instabilidade iniciada em 2014, quando o PSDB questionou a vitória de Dilma. Depois veio o resto. Isso não pode se repetir.

 



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