Uma oportunidade para o Rio

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A quase total dependência de insumos e equipamentos de saúde que temos hoje, principalmente vindos da China e Índia, tristemente revelada pela pandemia de Covid-19, nos mostrou que surgiu uma grande oportunidade para o Rio liderar a necessária criação em nosso país de um parque tecnológico especializado em produtos para a saúde.

Hoje o Brasil importa cerca de 95% de tudo que consome na saúde em termos de medicamentos, equipamentos e insumos.

A Covid também demonstrou o erro estratégico que o mundo fez nesse processo de globalização, quando centralizou na Índia e China a produção de praticamente todos os bens de consumo do mundo.

O lado trágico dessa dependência é que isso ocasionou uma crise sanitária e humanitária sem precedentes no nosso país, onde faltaram insumos básicos de utilização diária em nossos hospitais, como máscaras protetoras, luvas, além de respiradores e monitores de sinais vitais, entre outros, ocasionando perda de vidas e tristeza em todos nós.

A epidemia também demonstrou que temos de ter um estoque estratégico de tudo que consumimos na saúde e da urgente e imperiosa necessidade de incentivar a criação de uma nova indústria médica nacional padrão 4.0, limpa, não poluente, inovadora, utilizando energia renovável para seu funcionamento e com forte embarque tecnológico para sua produção, e assim ser capaz de ter sustentabilidade e competitividade internacional, além de oferecer a mínima independência e segurança para que toda a população brasileira possa ser atendida em suas demandas na saúde.

Não é razoável que sendo a quase totalidade das caríssimas próteses, órteses e materiais especiais utilizados em cirurgias, produzidas a partir de derivados do petróleo, não esteja sendo fabricada em nosso país, especialmente sendo o Rio de Janeiro um polo petroquímico e aqui termos a Petrobrás com seus moderníssimos centros de pesquisa.

Da mesma forma que a China transformou a província de Shenzen no maior polo de tecnologia do mundo, através de políticas públicas e incentivos governamentais, o Rio de Janeiro pode ser transformado em um grande polo da indústria da saúde, utilizando uma área como a do Porto Maravilha para criar uma Zona de Incentivo à Saúde, onde essas industrias limpas, apoiadas por instituições de pesquisa existentes na cidade como a FioCruz / BioManguinhos e a Coppe/UFRJ, além das diversas universidades públicas e privadas, com seu corpo docente e de pesquisadores altamente qualificados, possam desenvolver uma sustentável e inovadora indústria de insumos em nosso país, reduzindo significativamente a dependência quase total que temos de outros países.

Criar um polo industrial para a saúde brasileira no Rio de Janeiro, com incentivos de políticas públicas como redução da carga tributária para as indústrias ali instaladas, e redução dos custos financeiros para os empreendedores investirem, pode ser uma grande oportunidade para o Rio de Janeiro.

O cavalo selado está passando em nossa frente.

É hora de o governo e a sociedade civil agirem com a necessária mobilização e decisão política de incentivar o ambiente da competitividade, da inovação, e da ciência e tecnologia que tanto o Rio necessita para voltar a ser uma cidade atrativa para se viver, trabalhar, empreender e visitar, que todos os cariocas e o Brasil desejam.

Josier Vilar. Médico e Presidente do Forum Inovação Saúde (FIS)