Primavera: tempo de colher os frutos da palavra de Deus

Estamos no mês de setembro, às vésperas de começar a primavera, com suas flores e perfumes, despertando a esperança para abundantes colheitas. É uma estação alegre, período em que os pássaros voltam a cantar, enfim, é o mês em que a vida se renova e se manifesta por todo lado. A Igreja Católica no Brasil – por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – celebra o Mês da Bíblia. É o desejo de redescobrir, viver e celebrar o mês da Palavra de Deus na vida comunitária.
Se compreendermos que a Bíblia é a carta de Deus, que fala ao íntimo do nosso coração, então poderemos nos aproximar dela com desejo de beber da água da fonte, como quem tem sede de água viva. A Palavra de Deus é a boa notícia contra a solidão da vida. Portanto, ouvir as Escrituras é ouvir a voz do Senhor que liberta e salva.
Certa vez, o papa Francisco questionou o que aconteceria se nós déssemos a mesma importância à Bíblia que damos aos nossos telefones celulares. Se a deixássemos sempre conosco, levássemos para todos os lugares, o que aconteceria? Se voltássemos atrás sempre quando a esquecêssemos. Se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens do celular, o que aconteceria?
Obviamente a comparação é paradoxal, mas nos faz refletir. Com efeito, se tivéssemos sempre a palavra de Deus no coração, nenhuma tentação poderia nos afastar Dele e nenhum obstáculo nos poderia fazer desviar do caminho do bem. Saberíamos vencer as insinuações cotidianas do mal; seríamos mais capazes de levar uma vida santa, acolhendo e amando os nossos irmãos, especialmente os mais necessitados, e também os nossos inimigos.
A Bíblia não pode ser aquele livro que fica de enfeite em casa, é necessário se familiarizar com a Bíblia e tê-la na mão para que ela seja como um GPS apontando o caminho a seguir. A Palavra é um guia seguro porque – entre os muitos ruídos do mundo – nos leva a nos comprometer com os outros nos passos de Jesus, a reconhecer neles a sua vocação.
Lendo a Bíblia é que aprendemos a conhecer Cristo. A esse propósito, São Jerônimo, Doutor da Igreja, observa: “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo”. É urgente que nasça uma nova geração de apóstolos arraigados na palavra de Cristo, capazes de responder aos desafios do nosso tempo e prontos a difundir o Evangelho.
A Palavra de Deus é a sua revelação, primeiro para o povo escolhido, o povo de Israel, e depois em Jesus Cristo, o eterno Verbo feito carne ao novo povo de Deus. Deus fala através dos tempos e dos acontecimentos da história, palavra e vida estão intimamente conectados. Deus, mesmo, se comunica com os homens por meio de sua Palavra revelada, proclamada e anunciada. A Palavra é o próprio Senhor, “como a chuva e a neve descem do céu e não retornam sem molhar a terra, assim a palavra que vai de minha boca: não voltará a mim sem efeito, sem ter feito o que eu desejo e sem ter realizado a missão para o qual eu enviei” (Isaías 55,10).
A Palavra nos provoca e nos convida a todo momento a nos abrirmos para surpresas, porque Deus é realmente inesperado e imprevisível. Abra a Bíblia, deixe Deus falar ao seu coração. E fale com Deus; é a maneira mais fácil de rezar. Que neste Mês da Bíblia possamos viver intensamente o dinamismo da Palavra anunciada, proclamada e vivida em nossa missão de cristãos comprometidos com o Evangelho.

* Pároco da Paróquia de São José da Lagoa e reitor do Cristo Redentor