Anna Ramalho, adeus ao jornalismo elegante

A colunista social morreu nessa quarta na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro

Foto: Zzn Peres
Credit...Foto: Zzn Peres

O jornalismo brasileiro, em especial o colunismo social, ficou mais pobre ontem com a morte de Anna Maria Ramalho, aos 73 anos. Atuante e incansável, ela sempre soube se reinventar. Como na pandemia da Covid-19, quando passou a explorar em entrevistas diárias “online” as possibilidades das redes sociais. Anna Ramalho só interrompeu as atividades em junho, após ser diagnosticada, um mês antes, com dois tumores no pulmão esquerdo. Corajosa, escreveu sobre a doença em seu site para influenciar outros fumantes. Religiosa, pediu orações aos leitores e sua incontável legião de amigos.

Até ser internada no começo deste mês na Casa de Saúde São José, em Botafogo, estava com esperanças de se recuperar. Mas a doença venceu sua fé e a enorme alegria de viver. Uma infecção pulmonar que causou uma embolia provocou a falência respiratória na tarde de ontem (27) e deixou uma imensa saudade para seu filho, o chef Christiano Ramalho, e as queridas netas Olívia e Antônia, além de em seus amigos e admiradores. O velório será nesta quinta- feira (28), das 13h às 16h, no Memorial do Carmo, no Caju.

Em sua longa carreira, iniciada em 1971, na “Revista Manchete”, e que prosseguiu em “O Estado de S. Paulo”, Anna chegou a flertar com a publicidade, mas o metier para vicejar seu talento insuperável era mesmo no jornalismo. As portas foram reabertas em “O Globo, em 1977. Lá trabalhou como assistente de Ibrahim Sued e Carlos Leonan, na coluna Swann. Ainda atuou na coluna de Boechat. Em 1990 foi trabalhar com Zózimo Barroso do Amaral, neste "JORNAL DO BRASIL".

Quando Zózimo trocou o JB pelo "O Globo", ela seguiu com Fred Suter, escudeiro de Zózimo, para “O Dia”. Em 2000 voltou ao JB, para assinar coluna diária. Percebendo os novos ares do jornalismo “online”, foi uma das colunistas pioneiras em criar o seu próprio blog. Em 2018, o amigo Omar Resende Peres, o Catito, ofereceu festa no “Hippopotamus” para festejar seus 40 anos de jornalismo, onde foi registrada esta foto por Zezinho Peres.

Conversar com Anna Ramalho era pura diversão. Democrata, sabia tratar bem a todos e era impiedosa com a corrupção e a má gestão do dinheiro público. Com a mesma elegância de estilo que empregava em saborosas notas compactas ou “pensatas” na coluna, ela revelava em “off” detalhes picantes e até constrangedores que vivenciou de algumas das mais importantes autoridades do país. A vida era para ser bem vivida com os amigos, dizia.

Siga em paz querida amiga. Seu sobrinho, Guilherme Amado, segue seus passos no site “Metrópoles”.

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