Número de brasileiros com fome chega a 33 milhões, diz pesquisa

Dados dispararam quase o dobro em apenas um ano

Foto: Arquivo/Agência Brasil
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O número de brasileiros que passam fome chegou à marca de 33,1 milhões de pessoas em 2022, quase o dobro do valor do ano passado, mostrou uma pesquisa divulgada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) nesta quarta-feira (8).

Na primeira edição do inquérito, o número de cidadãos em situação de insegurança alimentar era de 19 milhões. Ainda conforme o levantamento, o quadro atual é um retrocesso de três décadas, repetindo o cenário vivido na década de 1990.

Com isso, 58,7% da população brasileira vive com algum grau de insegurança alimentar - leve, moderado ou grave. Essa classificação inclui desde pessoas que abrem mão de alguns alimentos ou pulam refeições até as que não têm nada para comer.

Conforme o levantamento, as estatísticas foram coletadas entre novembro de 2021 e abril de 2022 por meio de entrevistas em 12.745 domicílios de 577 municípios em todos os estados.

"A continuidade do desmonte de políticas públicas, a piora no cenário econômico, o acirramento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia da Covid-19 tornaram o quadro desta segunda pesquisa ainda mais perverso", diz o texto do relatório na comparação com o primeiro inquérito do tipo.

Para a médica epidemiologista e pesquisadora da Rede Penssan, Ana Maria Segall, "a pandemia surge neste contexto de aumento da pobreza e da miséria, e traz ainda mais desamparo e sofrimento".

"Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia só poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país", acrescenta a especialista no documento.

O coordenador da rede Penssan, Renato Maluf, também alerta que "aquelas políticas públicas de combate à pobreza e à miséria que, entre 2004 e 2013, reduziram a fome a apenas 4,2% dos lares brasileiros" já não fazem mais parte da "realidade brasileira".

"As medidas tomadas pelo governo para contenção da fome hoje são isoladas e insuficientes, diante de um cenário de alta da inflação, sobretudo dos alimentos, do desemprego e da queda de renda da população, com maior intensidade nos segmentos mais vulnerabilizados", pontua ainda Maluf no relatório.

Outros destaques da pesquisa mostram que o norte e o nordeste do país são as áreas mais impactadas, com índices de insegurança alimentar em 71,6% e 68%, respectivamente. O cenário desesperador se repete mais no campo do que nos centros urbanos e também mais em famílias em que os responsáveis pela renda se declaram pretos ou pardos (65%).

As famílias que têm uma mulher como principal fonte de referência também registraram maior aumento do que nas que têm homens - passando de 11,2% para 19,3%. Entre eles, o índice subiu de 7% para 11,9%. (com agência Ansa)

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