Fundo que administra carreira de Gusttavo Lima pegou R$ 320 milhões do BNDES

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Daniel Cesar - A One7, fundo de investimentos que administra a carreira do cantor sertanejo Gusttavo Lima, venceu uma concorrência para receber a bagatela de R$ 320 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) num fundo que, em tese, empresta dinheiro para pequenos e médios empreendedores do Brasil.

A One7 é um fundo de investimentos que fechou contrato milionário com Gusttavo Lima no auge da pandemia, comprando a administração da carreira dele pela bagatela de R$ 200 milhões. Desde então, é ela quem cuida das negociações – embora a agenda de shows, logística e locais continuem nas mãos do cantor. E ela tem parcerias pra lá de estranhas com o setor público.

Há cinco meses, o CEO do fundo, João Paulo Fiuza, compartilhou em seu linkedin uma comemoração. “Muito honrado com a seleção da One7 no edital do BNDES que avaliou o potencial de 73 empresas em relação ao alcance de MPMEs em busca de crédito, fortalecendo nosso propósito de impactar positivamente a vida das pessoas. Na chamada pública, One7, XP Asset e Acqio atuaram juntas na apresentação da proposta selecionada. Ao total teremos R$ 400 milhões disponíveis para novas operações”.

De fato, o próprio BNDES confirmou a informação, por meio de seu site, de que iria investir R$ 320 milhões em um fundo para ajudar pequenos e médios empresários. Quem vai administrar? A One7, junto com a XP Asset e a Acqio. Porém, a empresa que cuida de Gusttavo Lima, só investiu R$ 20 milhões, mas administra um total vinte vezes maior.

O próprio CEO explicou como faria com o dinheiro. “A partir desse edital, One7 lança seu novo produto com potencial de alcance nacional, considerando as etapas de simulação, análise de crédito e contratação em ambiente digital. Batizado “One7maisCrédito”, o produto oferece capital de giro, sendo uma linha de crédito que atende desde MEIs até empresas com faturamento de até R$ 300 milhões/ano”, revelou.

Na prática, o fundo que investiu R$ 200 milhões para cuidar da carreira de Gusttavo Lima recebeu R$ 320 milhões do governo federal para fazer empréstimos a pequenos e médios empreendedores. Chama a atenção que ela tenha bancado tanto para o sertanejo, mas apenas 5% para o fundo federal.

 

Por que isso é importante

É importante entender como funciona o fundo de investimentos que gere a carreira de Gusttavo Lima para se localizar diante do imbróglio que envolve o nome do cantor. Ele teve shows revelados em diversas partes do país custando R$ 800 mil a R$ 1,2 milhão, pagos por prefeituras de cidades pequenas.

A One7 também tem contratos com prefeituras. Recentemente ela fechou parcerias com as administrações de Boituva e Tatuí, ambas no estado de São Paulo, com um programa chamado Jovens Empreendedores e que, em tese, prepara a população mais jovem para se lançar no mercado, não como funcionários, mas como donos de algo.

Com tantos contratos com prefeituras e com o próprio governo federal, a One7 é a responsável por negociar, com o mesmo setor público, shows de Gusttavo Lima que serão pagos com dinheiro do contribuinte e por valores considerados muito acima do praticado no mercado.

É importante dizer que a One7 garantiu, quando fechou o contrato com o sertanejo, que todo o aporte investido nesse fundo de R$ 200 milhões, seria bancado com dinheiro dos sócios, mas o quadro societário da empresa aparece em branco quando é pesquisado.

Por se tratar de um fundo, deveria ser possível adquirir cotas. O Four Even FDIC, que é o fundo criado para administrar a carreira de Gusttavo Lima pôde ser comprado por R$ 1.098,00 – segundo dados de maio do ano passado. No Bovespa, no início de maio, esse fundo apresentava lucro de 222%, segundo dados oficiais.

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