Na OMS, Queiroga mente e omite dados sobre ações contra Covid

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Durante discurso na Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (24), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo brasileiro defende e está adotando a "firme recomendação" de medidas contra o novo coronavírus Sars-CoV-2, além de ter inflado os dados de vacinação no país.

A declaração foi dada um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro reunir milhares de pessoas sem máscaras de proteção para um ato no Rio de Janeiro e provocar aglomerações em meio à aceleração da pandemia no país.

"Investimos recursos financeiros na saúde e na retomada da economia. A isso somamos nossa firme recomendação de medidas não farmacológicas para toda nossa população", declarou Queiroga na assembleia ministerial anual da OMS.

O ministro ainda elevou o número de pessoas que já foram imunizadas em todo o Brasil e também omitiu o fato de a administração de Jair Bolsonaro ter recusado ofertas para comprar doses de vacinas anticovid ainda em 2020.

"Hoje, nossa maior esperança para permitir o retorno gradual e seguro à normalidade é a ampla vacinação. Até o momento, o SUS já distribuiu mais de 90 milhões de doses de vacinas e vacinou mais de 55 milhões de pessoas, dentre as quais mais de 80% de indígenas", explicou.

Até agora, no entanto, somente 42,2 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose de vacina contra o novo coronavírus, sendo que 20,7 milhões de brasileiros já completaram a imunização, de acordo com o painel de vacinados https://coronavirusbra1.github.io/.

Segundo ele, o Brasil "coloca sua capacidade produtiva à disposição para aumentar a produção de meios de diagnósticos, tratamentos e vacinas para a Covid-19".

No entanto, a preferência é defender a transferência de tecnologia, e não a suspensão de patentes, como é proposto por mais de 60 países. "Para tal fim, devemos reforçar a cooperação técnica e a transferência de tecnologia, de modo que estamos engajados nas discussões sobre produção local e propriedade intelectual", disse.

Para Queiroga, "o aumento da capacidade produtiva global é essencial para garantirmos o acesso justo e equitativo à vacinação".

Em seu pronunciamento, o ministro insistiu na necessidade de todos terem acesso às vacinas, mas não chegou a citar como a gestão Bolsonaro recusou as ofertas feitas por farmacêuticas durante meses.

"Temos capacidade para imunizar, de forma célere, toda nossa população, desde que mais vacinas estejam disponíveis" disse ele, dando a entender que a culpa da campanha de vacinação lenta não é das autoridades nacionais.(com agência Ansa)