Papa Leão XIV alerta Europa contra a ilusão do rearmamento
Em discurso em Metz, o pontífice criticou a escalada militar e defendeu paz ativa, cooperação internacional e acolhimento aos migrantes
Em seu discurso em Metz, última etapa da viagem à França, o papa Leão XIV alertou que a Europa não deve cair na “ilusão do rearmamento”. Segundo ele, os pedidos para elevar os gastos militares costumam ser justificados pelo medo do outro, mas a construção da paz exige uma postura ativa e responsável.
O pontífice afirmou que a busca por segurança não pode ser confundida com ingenuidade, mas também não deve alimentar uma lógica de preparação permanente para a guerra. Ao homenagear Robert Schuman, um dos pais fundadores da União Europeia, ele defendeu que o continente recupere o espírito de cooperação que marcou seus primeiros passos.
Guerra na Ucrânia e crise do multilateralismo
Leão XIV lamentou o retorno da guerra à Europa, em referência indireta à invasão da Rússia à Ucrânia, que segue provocando vítimas civis todos os dias. Para ele, a pergunta central hoje é se os países estão de fato buscando caminhos criativos para a paz ou apenas tentando conter novas explosões de violência.
O papa também criticou o enfraquecimento do direito internacional e do multilateralismo, que classificou como fundamentais para garantir a igualdade entre os Estados. Na visão dele, essas regras são o principal antídoto contra a vontade de dominação que costuma estar na origem dos conflitos.
Migração, identidade europeia e raízes cristãs
No mesmo discurso, o pontífice abordou a crise migratória que domina o debate em vários países europeus e impulsiona grupos de extrema direita. Ele defendeu o combate aos traficantes, políticas que permitam às pessoas viver com dignidade em seus países de origem e acolhimento aos que arriscam tudo para recomeçar em outro lugar.
Leão XIV afirmou que acolher significa integrar, oferecendo à pessoa a chance de desenvolver seus talentos sem perder a referência cultural da casa que a recebe. Também disse que não se pode falar da Europa sem reconhecer sua dívida com o cristianismo, que, segundo ele, ajuda a explicar a abertura ao transcendente como parte da civilização europeia.
Macron também defende Europa aberta e soberana
O presidente francês, Emmanuel Macron, participou do evento e pediu que a Europa recupere o espírito de seus fundadores para não ceder ao fechamento, ao ódio ao outro e ao retorno dos nacionalismos. Ele descreveu o continente como uma força que protege, une e age, associando soberania, democracia, paz e prosperidade.
Leão XIV está na França desde sexta-feira (25) e foi o primeiro papa a visitar o país em 28 anos. Antes de encerrar a viagem com uma missa em Metz, ele passou por Paris e Lourdes, onde se encontrou com vítimas de abusos sexuais na Igreja Católica.