Argentina perde 31.342 empresas sob governo Milei
Levantamento da Fundar mostra queda disseminada entre setores e províncias, com impacto forte sobre transporte, construção e indústria
A Argentina perdeu 31.342 empresas entre novembro de 2023, último mês antes da posse de Javier Milei, e junho de 2026, segundo o Monitor Mensal de Empresas elaborado pelo centro de estudos Fundar. O recuo equivale a 6,1% do total existente no início do governo e é apontado pela instituição como a maior queda registrada nos primeiros 31 meses de uma gestão presidencial na série analisada.
O estoque de empresas passou de 512.357 para 481.015 no período. Apenas entre maio e junho, o país registrou 709 firmas a menos, uma retração de 0,15%. Na comparação com junho de 2025, a baixa foi de 16.386 empresas, ou 3,3%, reforçando a tendência de enfraquecimento do universo empresarial formal com empregados registrados.
Setores mais afetados pela retração
O levantamento mostra que a perda de empresas não ficou concentrada em uma área específica. Segundo a Fundar, 14 dos 18 setores analisados tiveram queda desde a chegada de Milei ao governo. Entre os mais atingidos estão transporte e armazenamento, com recuo de 17,51%; atividades imobiliárias, com queda de 13,99%; construção, com retração de 9,50%; e indústria manufatureira, que acumula baixa de 13,81%.
Na comparação interanual, 14 dos 18 setores também mostraram redução. Em junho, os segmentos de alojamento e gastronomia, transporte e armazenamento e indústria manufatureira figuraram entre os que mais perderam empresas no mês. Ainda assim, algumas atividades conseguiram avançar, como serviços administrativos, associações e serviços pessoais, eletricidade e gás e saúde. A mineração também apresentou leve expansão mensal.
Impacto nas províncias argentinas
O recuo empresarial também aparece de forma territorial. Em junho, 17 das 24 províncias argentinas tiveram diminuição no número de empresas em relação a maio. Na comparação anual, 23 das 24 províncias registraram queda, com exceção apenas de Neuquén, que avançou 0,21% no período. Desde novembro de 2023, a província também é a única a mostrar crescimento acumulado, de 1,4%.
Entre as maiores retrações estão La Rioja, com queda de 19,7%, Catamarca, com 14,7%, e Tierra del Fuego, com 13,9%. Os dados indicam que a desaceleração do tecido empresarial está espalhada por boa parte do território argentino, atingindo regiões com perfis econômicos distintos.
Leitura econômica e disputa sobre as causas
A queda no número de empresas ocorre em paralelo às mudanças promovidas pelo governo Milei, marcadas por ajuste fiscal, redução de gastos públicos, alterações regulatórias e maior abertura econômica. Para a Fundar, a retração se relaciona à queda do consumo e às dificuldades enfrentadas por diversos setores produtivos.
O governo argentino, por sua vez, argumenta que o processo faz parte da reorganização de uma economia que acumulava desequilíbrios e distorções. A divergência sobre as causas mostra que a leitura do cenário ainda está em disputa, enquanto os números apontam para uma contração persistente do setor empresarial formal no país. (com informações de Tatiane Correia, do Jornal GGN)